Felipe Arruda

as far as i remember, i always wanted to be a gangster

Luanda - parte 5

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Tenho mais 19 dias em Luanda, mas se eu fosse embora hoje, já estaria satisfeito. No final de semana passado conheci o famoso Miradouro da Lua e a praia de Cabo Ledo, que fica a cerca de 120 km de Luanda. Saímos do apartamento às 7 da manhã e, depois de um café na Pastelaria Bolo Rei, partimos para o sul. Acho que vale contar que pastelarias aqui não vendem pastéis. Esta é a forma com que chamam as confeitarias.

A placa que indica o Miradouro da Lua

A placa que indica o Miradouro da Lua

A primeira parada, depois de um bom engarrafamento para sair da cidade, foi o Miradouro da Lua. Eu sempre achei que o lugar tinha este nome porque era uma boa região para observar o céu, mas eu estava enganado. Segundo uma placa que tem na entrada do Miradouro, o ponto turístico tem este nome porque dizem que se parece com a superfície lunar.Mas independente de parecer ou não com a Lua, eu gostei muito do Miradouro. A vista é muito bonita e eu poderia passar horas sentado ali, contemplando os arenitos esculpidos pela erosão e o mar ao fundo.

Arenitos

Arenitos

Depois de algumas fotos, partimos para a praia de Cabo Ledo, que fica na província de Kwanza Norte. Estacionamos o carro no complexo turístico Doce Mar, que dispõem de várias casas para aluguel. Apesar de eu não gostar muito de praia, parece ser divertido passar um final de semana ali. Segundo o Ariel, o Hernani e o Vitor, o mar estava bonito como nunca tinham visto antes.

Pescadores em Cabo Ledo

Pescadores em Cabo Ledo

No próprio complexo turístico existe um bar/restaurante com mesas e guarda-sóis, onde é possível matar o bicho e a sede, ou se refrescar tomando um gelado. Mas aviso que não é muito barato. Dois sumos (um de limão e um de laranja) e dois sorvetes Mega custaram quase mil kwanzas.

Cabo Ledo

Cabo Ledo

Quem se interessar, coloquei mais fotos no Flickr. Tem inclusive foto do Peito-Celeste (ou Catuiti), um passarinho muito bonito e bem comum na cidade. Eu não gostaria de me tornar um birding geek, mas já estou começando a sentir os primeiros sintomas. O bom é que parte dos equipamentos (binóculo e uma câmera fotográfica boa) serviria também para a prática de astronomia amadora.

Peito-Celeste (Uraenghitus angolensis)

Peito-Celeste (Uraenghitus angolensis)

Ah, sim! Já ia me esquecendo: Luciano Huck, Joelma, Chimbinha e o restante da banda Calypso tocaram aqui, no Estádio dos Coqueiros. Junto com eles também se apresentaram dois músicos angolanos: Yuri da Cunha e Yola Semedo. Nós bem que gostaríamos de ver eles tocando Aces High, mas acabamos desistindo.

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November 17th, 2008 at 5:44 pm

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Exoplanetas fotografados

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Pela primeira vez o telescópio Hubble conseguiu fotografar um exoplaneta orbitando uma estrela. O planeta em questão, ainda sem nome, orbita a estrela mais brilhante da constelação de Piscis Austrinus, Fomalhaut. A foto é impressionante e eu fico imaginando como deve ser divertido o trabalho das pessoas que analisam estas imagens:

Aquele pontinho ali? :-)

Aquele pontinho ali?

Como se isto já não bastasse, o Observatório Gemini conseguiu uma fotografia ainda mais impressionante: dois planetas orbitando a estrela HR 8799, da constelação de Pegasus! E apesar da fotografia mostrar apenas dois, sabemos que existem três planetas a orbitar esta estrela:

Os dois mundos ao redor da HR8799

Os dois mundos ao redor da HR8799

Uma informação interessante divulgada pelo Bad Astronomy é que os planetas fotografados na constelação de Pegasus são bem “novos”, possuem cerca de 60 milhões de anos e, por isso, ainda brilham. Já o planeta fotografado pelo Hubble possui cerca de 200 milhões de anos e apenas reflete a luz emitida pela estrela Formalhaut.

Claro que, antes destas fotografias, nós já éramos capazes de constatar a presença de planetas fora do nosso sistema solar. Mas estas constatações eram feitas através de técnicas indiretas, como a ocultação de uma estrela. É bom lembrar também que um exoplaneta já tinha sido fotografado anteriormente, mas ele orbitava uma anã marrom, que também são conhecidas como estrelas fracassadas. As fotografias tiradas pelo Hubble e pelo Gemini são as primeiras que mostram planetas orbitando estrelas normais, como o nosso Sol. Como disse o Phil Plait, “elas são História“.

Pegasus no Stellarium

Pegasus no Stellarium

No site do observatório Gemini também podemos achar mapas que ajudam a encontrar a estrela HR 8799 a olho nú ou com binóculo. Quem estiver em Curitiba e quiser tentar, Pegasus estará visível ao norte a partir 00:15h.

Written by felipe

November 14th, 2008 at 7:43 am

Undecided

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To put them in perspective, I think of being on an airplane. The flight attendant comes down the aisle with her food cart and, eventually, parks it beside my seat. “Can I interest you in the chicken?” she asks. “Or would you prefer the platter of shit with bits of broken glass in it?”

To be undecided in this election is to pause for a moment and then ask how the chicken is cooked.

Yes, I know I’m late, but this article written by Sedaris is definitely worth reading. (via Flavio Moura)

Written by felipe

November 12th, 2008 at 7:11 am

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Luanda - parte 4

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Hoje, 11 de novembro, é dia da independência de Angola. Acordei um tanto cedo e, enquanto tomava o meu pequeno almoço, assisti parte de um documentário na TPA que contava como foi o processo da independência de Angola. O que mais gostei é que o documentário mostrava alguns pormenores que ninguém nunca lembra de contar, como quem desenhou e quem costurou a primeira bandeira da nação.

Segundo o documentário, a primeira versão da bandeira foi feita em algodão, mas o então quase-presidente Agostinho Neto exigiu que ela fosse refeita em cetim. Já era dia 9 de novembro e as costureiras ficaram bastante nervosas. Acabaram conseguindo o cetim para a confecção, mas se me lembro bem, o símbolo da bandeira acabou sendo feito em algodão mesmo. Na noite anterior à independência as costureiras precisavam entregar a bandeira ao presidente e, para isso, tiveram que escondê-la em um saco de pão para poderem passar sem problema pelos militares portugueses.

Como hoje é feriado nacional, não trabalhamos. Aproveitamos o dia para ir ao Belas Shopping com o Agostinho, um amigo do Ariel que já está há quatro anos em Luanda.

Belas Shopping

Belas Shopping

A região onde o shopping fica é gira, bem planejada e possui residências muito bonitas. O shopping não é muito grande (comparado com os curitibanos ou paulistas), mas tem lojas muito boas e uma praça de alimentação com bastante opções, de fast food à alta gastronomia. Tem até uma filial do Panela de Barro, o restaurante onde comemos todo dia.

Só eu acho o Daniel Craig parecido com o Will Self?

Só eu acho o Daniel Craig parecido com o Will Self?

O shopping também tem oito salas de cinema e aproveitamos para assistir Quantum of Solace. Me surpreendi com o filme. Pensei que seria só mais um filme de ação, mas o novo 007 é muito mais que isso: é um filme de ação ininterrupta do começo ao fim. Quando voltar ao Brasil vou tentar assistir todos os filmes da série. E a propósito, achei o cinema muito bom.

Livros! Livros!

Livros! Livros!

E como parece que os livros me perseguem (ou eu a eles), encontrei duas surpresas: um fotógrafo brasileiro lançando um livro sobre Angola e uma “tenda” com dezenas de livros à venda no corredor do shopping. Vários livros me interessaram, mas estou a economizar. Além disso tem o inconveniente de que papel costuma pesar demais e eu já trouxe três livros do Brasil para ler aqui.

Written by felipe

November 11th, 2008 at 5:29 pm

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Luanda - parte 3

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Ao fundo, Baía de Luanda.

Ao fundo, Baía de Luanda.

De manhã fomos até a empresa onde trabalha um dos consultores portugueses que dividem o apartamento conosco. O ambiente é legal e tem uma conexão boa com a internet. Além disso, quatro nerds trancados em uma sala com ar condicionado me faz lembrar Curitiba.

No caminho conheci um outro lado de Luanda, uma região mais próxima do aeroporto. Entre as cenas que pude ver de dentro do carro, algumas me chamaram a atenção: vendedores ambulantes no meio do trânsito vendendo peixes ornamentais vivos, uma banda de hip-hop gospel chamada Alaridos divulgando o disco deles e crianças dormindo tranqüilamente, presas às costas da mãe, enquanto esta ganha a vida vendendo alguma fruta na calçada.

Passamos também por uma praça muito bem arrumada, com uma estátua enorme de Agostinho Neto, poeta e primeiro presidente de Angola. Aliás, vi estes dias que há alguns meses o Agualusa gerou um bocado de ruído ao emitir uma crítica negativa sobre as poesias do ex-presidente.

Depois do almoço passamos conferir a segunda edição da Tenda das Letras, uma feira literária que está acontecendo perto do Liceu Salvador Correia. A feira é bastante simples, mas a iniciativa é bastante posiiva. Quando passamos lá havia quatro barracas vendendo livros. Procurei por algum volume de história Angolana mas, infelizmente, não encontrei.

Tenda das Letras

Tenda das Letras

Dos livros que vi, fiquei interessado em uma antologia de contos e provérbios angolanos. Parece um bom livro e uma edição muito boa, mas o preço de três mil kwanzas me fez adiar a compra. Amanhã é o último dia da feira.

Também aprendi onde fica o Museu Nacional de Antropologia e acho que posso ir a pé até ele. Só preciso descobrir o horário de funcionamento, porque a caminhada não é muito pequena.

Atualmente, a única coisa que me incomoda em Luanda é a presença de conflito racial e xenófobo. Hoje mesmo, na volta para casa, um angolano passou pelo nosso carro fazendo alguns gestos e nos xingando. Ou melhor, xingando nossas mães, ao que um de nós respondeu baixinho, dentro do carro: pois sou teu irmão, logo tua mãe também é.

Eu nunca tinha experimentado uma situação assim antes. Nunca ninguém tinha me xingado pelo o que eu sou ou pelo o que eu represento. Por alguns instantes eu deixei de ser o Felipe e passei a ser um estrangeiro branco, arrogante e explorador. Interpretação minha e passível de erro, mas esta também deve ter sido a idéia que uma criança fez de mim quando ela bateu no vidro do carro repetidas vezes, e com força, porque eu não dei algum trocado para ela.

Não é confortável ser colocado nesta posição; saber que estão te interpretando mal e que não estão se esforçando para te entender ou te conhecer. Apesar de ter sido uma experiência desconfortável, acho que foi também importante ter passado por ela. É bom experimentar o outro lado da moeda e, apesar de não justificar, posso entender o que se passou na cabeça do rapaz quando nos xingou.

E este tipo de sentimento não se passa apenas entre alguns angolanos e alguns estrangeiros. Se passa também entre os estrangeiros e, acredito eu, entre os angolanos. O mais irônico de tudo é que a resposta do nosso colega, apesar de agressiva, é a parte que ninguém parece enxergar. De acordo com o que sabemos até agora sobre a origem da humanidade, nós compartilhamos um ancestral em comum e tudo indica que ele veio da África. Nós somos todos irmãos. Nós somos todos africanos.

Written by felipe

November 8th, 2008 at 2:53 pm

Luanda - parte 2

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Esta é a minha primeira viagem internacional e, não sei se pela localização, fica fácil perceber como surge o sentimento de discriminado/discriminador. Um monte de pessoas de vários lugares diferentes, que não se entendem direito, encarando qualquer atitude como se fosse uma elitista ou preconceituosa.

Apesar de ter ouvido falar que o moradores de Luanda são um pouco hostis contra estrangeiros, até agora só conheci angolanos simpáticos e festivos. Antes de ontem alguns nos viram na rua e começaram a dizer “olha os brasi… não sei se são brasileiros”. Cumprimentamos eles e eles já nos saudaram.

No mercadinho aqui da frente, quando precisei de ajuda, uma cliente angolana me ajudou toda sorridente e prestativa, e outros angolanos que já visitaram o Rio de Janeiro não pararam de elogiar a cidade. Disseram que o Rio é lindo e que o povo se parece com o de Luanda. Eu é que não discordo.

Vista da rua onde estamos hospedados

Vista da rua onde estamos hospedados

Entretanto, já ouvi muitos comentários e piadas preconceituosas feitos por outros estrangeiros que estão trabalhando aqui. Em nenhuma das vezes me esforcei para rir ou fingir concordar, só me calei para evitar confusão.

Mas estou “a gostar” de Luanda. Apesar das dificuldades, a cidade possui muita beleza. Ontem de noite fui à Ilha de Luanda junto com o Ariel e um consultor português que divide o apartamento conosco. A vista da cidade é muito bonita, bastante iluminada e com a luz dos prédios refletindo na água. Infelizmente não pude fotografar, mas espero fazer isso da próxima vez que voltar lá.

Close da vista pela cozinha

Close da vista pela cozinha

Jantamos em um restaurante muito bom, chamado Chill Out. Este restaurante pode ser comparado facilmente com qualquer outro da Av. Batel, em Curitiba. Eles possuem um prato vegetariano (risoto de aspargos com legumes), que foi a melhor refeição que eu tive até o momento. Uma pena que custa muito caro e não podemos nos dar ao luxo de comer lá sempre.

No geral, achei a refeição cara aqui. Para almoçar e jantar fora de casa, em lugares comuns, é necessário pelo menos uns 50 dólares. Um prato de macarrão alho e óleo, aqui perto de onde estamos, custa cerca de 1300 kwanzas (uns 17 dólares) e uma Coca-Cola custa 360 kwanzas (~5 dólares).

A parte mais chata, por enquanto, está sendo a falta de um carro. Este é um fim de semana seguido de feriado (Dia de Finados) e então estamos há três dias em casa, quase sem sair. Ninguém gosta muito de sair a pé por aqui e para evitar sair sozinho, eu fico em casa também

Nas poucas quadras que caminhei por aqui, junto com o Ariel, já vi algumas coisas legais. Vi a igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída no século XVI, e alguns prédios governamentais muito bonitos. Também puder ver um pouco do comércio local e do movimento da cidade.

Da culinária local experimentei dois pratos: a kizaka, um cozido feito com folhas de mandioca, e o funge de milho, que parece uma polenta branca. Entre os dois, prefiro a kizaka, porque tem mais sabor. O funge eu achei meio sem graça, mas depois o Ariel me explicou que o funge deve ser comido acompanhado de algum molho.

Bom, amanhã voltamos ao trabalho. E ainda tenho mais de 30 dias pela frente para conhecer a cidade e tirar as minhas impressões sobre ela.

Avante, Luanda!

Written by felipe

November 3rd, 2008 at 7:29 am

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Luanda

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Nascer do sol entre Guarulhos - Johannesburg

Nascer do sol entre Guarulhos - Johannesburg

Chegamos (Ariel e eu) ontem em Luanda, Angola. Tirando o cansaço, tudo está muito bem. Os vôos foram tranquilos e as refeições vegetarianas da South African Airway são boas.

Notei apenas uma queda na qualidade da refeição e do atendimento aos passageiros no vôo da conexão Johannesburg e Luanda. Talvez as dezenas de filipinos, chineses e outros asiáticos que não falavam inglês tenham deixado os funcionários um pouco estressados. De qualquer forma, cliente é cliente e todos deveriam receber o mesmo tipo de tratamento.

Nosso primeiro dia de trabalho já começou há 3 horas. Tivemos falta de luz ao acordar e a luz voltou uns 20 minutos depois. Depois disso a luz “piscou” umas três ou quatro vezes e a água do banheiro resolveu desaparecer. Mas nada disso chega a ser um empecilho, é tudo contornável.

Aliás, contornável também é o trânsito de Luanda. Se você não se meter no meio dos carros e sair “contornando” tudo e todos, demorará horas para chegar ao seu destino. :-)

Written by felipe

October 31st, 2008 at 6:44 am

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Contra uma Linguagem Sexista

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Há alguns anos, quando eu participava de um coletivo de jornalismo independente, tínhamos a preocupação de usar, sempre que possível, uma linguagem inclusiva: ao escrever um texto nós evitávamos escrever para pessoas de um determinado gênero. Assumíamos que nossos leitores poderiam ser de qualquer gênero (feminino ou masculino) e, por isso, não poderíamos excluir ou privilegiar um determinado gênero.

Anos depois, já afastado do coletivo (por vontade própria e por falta de tempo), eu tropeço no mesmo assunto. Só que desta vez foi no terceiro capítulo de Read Me First!, um livro sobre escrita técnica editado pela Sun Technical Publications.

A seção, intitulada Avoid Sexist Language, traz a seguinte dica:

In many cultures, language has developed so that “men” often refers to “men and women”, and “he”, “him” and “his” are regarded as gender-neutral words. In decades past, this sentence might have been perfectly acceptable:

Ask your system administrator for his advice.

Today, this usage of “he” and “his” is far less acceptable. These pronouns assume too much about the gender of an individual. Writers who defend the use of such pronouns must contemplate the following: Many readers could interpret a writer’s intentions negatively and could consciously or subconsciously reject the work.

Mas nem sempre é fácil. No coletivo usávamos uma grafia bem menos formal para escrever um texto. Era comum trocar a vogal que definia o gênero de um nome por um símbolo como @ ou underline, deixando a interpretação do gênero para quem estava lendo o artigo. Assim, em vez de escrever garoto (ou garota), escrevíamos garot@, garot_, garotx, etc.

Deixando de lado toda a discussão sobre a estética de um texto onde algumas letras são substituídas por símbolos de arroba, posso dizer que esta forma servia bem para os propósitos dos textos, que eram vinculados na internet e sem nenhum compromisso corporativo ou acadêmico.

Na mesma época eu já trabalhava na Revista do Linux (R.I.P.) e fazia o possível para evitar direcionar um artigo a “um administrador de sistemas”, “um programador” ou “um usuário”.

Infelizmente, nossa língua é bastante dependente de gênero e, mesmo quando eu tentava generalizar, acabava optando pelo gênero masculino: “administradores”, “usuários”, “programadores”.

No português brasileiro, por convenção, usamos o plural masculino como uma forma “neutra”. Mas eu fico sempre na dúvida sobre esta neutralidade. Eu ainda não sei, e também não sei se alguém sabe (urgh!), como esta regra foi definida. Porque se foi definida “socialmente”, pode ser que tenha sido definida com base em valores antigos, em uma época onde só o homem ocupava determinadas posições na sociedade.

Por outro lado, eu detesto ter que repetir alguns substantivos nos dois gêneros (”os usuários e as usuárias”, por exemplo) e acho a forma “usuários(as)” tão feia quanto “usuári@s”.

Para ter uma idéia do que estou falando, no inglês eu resolveria o exemplo do livro apenas removendo o adjetivo possessivo (Ask your system administrator for his advice). Já esta mesma frase, em português, daria mais trabalho para ser “consertada”. Eu provavelmente acabaria cedendo ao gênero masculino e faria alguma administradora de sistema bufar de raiva ou cansaço.

Enfim, eu não sou lingüista e nem estudo Letras, então não sei o quanto disso é besteira e, em caso negativo, o quanto é solucionável. Para mim, a preocupação parece pertinente. Principalmente a dica de não tentar assumir mais do que devemos sobre as pessoas que vão ler os nossos textos.

Written by felipe

October 21st, 2008 at 9:11 pm

II Fórum de Tecnologia em Software Livre

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Esta é para aqueles que sentem falta de eventos de Software Livre em Curitiba: acontecerá de 10 a 12 de novembro o II Fórum de Tecnologia em Software Livre. Além de várias palestras a programação também inclui mini-cursos sobre Blender, Inkscape, Shell Script (ministrado pelo Julio Neves), PostgreSQL e outros assuntos.

Written by felipe

October 21st, 2008 at 7:24 pm

Holga - 120mm

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Das 12 fotos, gostei de duas. E ainda não descobri o que fazer para que o laboratório não corte o vignette. Desta vez até pedi para escreverem no envelope: manter as bordas queimadas. Mas não adiantou. Por ora, desisto.

Written by felipe

October 9th, 2008 at 1:39 pm

Posted in Fotografia, Hobbies

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