Microcontos
Depois de ler no blog do Alessandro sobre o concurso de microcontos que está rolando no Twitter, lembrei de duas leituras do ano passado (ou retrasado). A primeira foi de um dos menores contos do mundo, O Dinossauro, do escritor guatemalteco Augusto Monterroso:
Cuando despertó, el dinosaurio todavia estaba allí.
(Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá.)
No livro Cartas a um Jovem Escritor, Mario Vargas Llosa usa este microconto como exemplo para explicar, em mais de seis páginas, o ponto de vista temporal de uma narração.
Já a segunda lembrança foi da edição de novembro de 2006 da revista Wired, onde vários escritores (e outros profissionais) foram convidados a demonstrar talento com apenas seis palavras. Entre os convidados estão nomes bastante conhecidos, como Willian Shatner (“Failed SAT. Lost scholarship. Invented rocket.”), Stan Lee (“Automobile warranty expires. So does engine.”), Alan Moore (“Machine. Unexpectedly, I’d invented a time”), Frank Miller (“With bloody hands, I say good-bye.”), Neil Gaiman (“I’m dead. I’ve missed you. Kiss … ?”) e Kevin Smith (“Kirby had never eaten toes before.”).
Como a brincadeira é um tanto intrigante, também resolvi participar do 140 Letras:
#140 Fitando o quarto que acabou de alugar na pensão, lembrou das palavras do pai: é com a escuridão da noite que vemos as estrelas.
Apesar de permitido, não pretendo postar outro conto. Acho que a participação devia ter sido limitada a um ou dois contos por pessoas. Mas já deu para perceber como é difícil expressar-se claramente com tão poucos caracteres. Na minha cabeça o que eu escrevi faz sentido, porque tem toda uma situação que imaginei antes de escrever. Mas isso pode não acontecer para quem lê.
Acho que microcontos valem como exercícios para praticar um dos grandes conselhos para textos técnicos ou textos voltados para a internet: simplifique, simplifique!
“Fitando o monitor plano a sua frente, tentava entender: por que amarraram minhas maos?”
raphael
28 Aug 08 at 1:54 pm