Esta é a minha primeira viagem internacional e, não sei se pela localização, fica fácil perceber como surge o sentimento de discriminado/discriminador. Um monte de pessoas de vários lugares diferentes, que não se entendem direito, encarando qualquer atitude como se fosse uma elitista ou preconceituosa.
Apesar de ter ouvido falar que o moradores de Luanda são um pouco hostis contra estrangeiros, até agora só conheci angolanos simpáticos e festivos. Antes de ontem alguns nos viram na rua e começaram a dizer “olha os brasi… não sei se são brasileiros”. Cumprimentamos eles e eles já nos saudaram.
No mercadinho aqui da frente, quando precisei de ajuda, uma cliente angolana me ajudou toda sorridente e prestativa, e outros angolanos que já visitaram o Rio de Janeiro não pararam de elogiar a cidade. Disseram que o Rio é lindo e que o povo se parece com o de Luanda. Eu é que não discordo.
Entretanto, já ouvi muitos comentários e piadas preconceituosas feitos por outros estrangeiros que estão trabalhando aqui. Em nenhuma das vezes me esforcei para rir ou fingir concordar, só me calei para evitar confusão.
Mas estou “a gostar” de Luanda. Apesar das dificuldades, a cidade possui muita beleza. Ontem de noite fui à Ilha de Luanda junto com o Ariel e um consultor português que divide o apartamento conosco. A vista da cidade é muito bonita, bastante iluminada e com a luz dos prédios refletindo na água. Infelizmente não pude fotografar, mas espero fazer isso da próxima vez que voltar lá.
Jantamos em um restaurante muito bom, chamado Chill Out. Este restaurante pode ser comparado facilmente com qualquer outro da Av. Batel, em Curitiba. Eles possuem um prato vegetariano (risoto de aspargos com legumes), que foi a melhor refeição que eu tive até o momento. Uma pena que custa muito caro e não podemos nos dar ao luxo de comer lá sempre.
No geral, achei a refeição cara aqui. Para almoçar e jantar fora de casa, em lugares comuns, é necessário pelo menos uns 50 dólares. Um prato de macarrão alho e óleo, aqui perto de onde estamos, custa cerca de 1300 kwanzas e uma Coca-Cola custa 180 kwanzas (1 USD vale 75 kwanzas).
A parte mais chata, por enquanto, está sendo a falta de um carro. Este é um fim de semana seguido de feriado (Dia de Finados) e então estamos há três dias em casa, quase sem sair. Ninguém gosta muito de sair a pé por aqui e para evitar sair sozinho, eu fico em casa também
Nas poucas quadras que caminhei por aqui, junto com o Ariel, já vi algumas coisas legais. Vi a igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída no século XVI, e alguns prédios governamentais muito bonitos. Também puder ver um pouco do comércio local e do movimento da cidade.
Da culinária local experimentei dois pratos: a kizaka, um cozido feito com folhas de mandioca, e o funge de milho, que parece uma polenta branca. Entre os dois, prefiro a kizaka, porque tem mais sabor. O funge eu achei meio sem graça, mas depois o Ariel me explicou que o funge deve ser comido acompanhado de algum molho.
Bom, amanhã voltamos ao trabalho. E ainda tenho mais de 30 dias pela frente para conhecer a cidade e tirar as minhas impressões sobre ela.
Avante, Luanda!


pra mim, que já rodei tantos lugares brasileiros diferentes (mentirinha: só foram 3 :P), sempre ouço esteriotipadas sobre baianos, gaúchos e curitibanos.
Legal!
Mas não entendi o esquema da segunda foto… Parece que meio apartamento é na parte de cima e meio é de baixo.
Ou pra descer as escadas passa metade por dentro metade por fora.
E tire foto de dentro do AP oras!
Kátia: pois é, eu também sempre escuto. Mas aqui eu ouvi comentários racistas mesmo, do tipo que a Rosa Pars deve ter ouvido naquela época. hehe
Tabgal: eu também não entendo essas escadas aqui de fora. Tem uma outra, caracol, que é muito doida. Se der eu publico depois.
Felipe,
que inveja de você em Luanda! Queria tanto conhecer. Espero que você publique muitas fotos daí.
Aproveito pra tirar uma dúvida, já que você parece entender do assunto e eu sou uma analfabeta em câmeras analógicas. Quero comprar uma Holga, mas não sei se tenho que usar filmes de 35mm ou 120mm, nem sei se os dois ainda são vendidos. Você pode me dar umas dicas a respeito?
Obrigada e aproveite a viagem!
Mariana, estou tentando tirar fotos, mas não é muito aconselhável/seguro. Por isso não tenho publicado quase nada. :-)
Sobre a Holga, ela usa filme de 120mm (médio formato). Pelo menos a minha, que é a 120N. Mas tem como adaptar filme de 35mm nela também.
O de 35mm você encontra fácil. Já o de 120 é necessário recorrer à alguma loja mais especializada. Mas também não é difícil de encontrar.
Boa sorte!
já aboliu o gerúndio do seu vocabulário? hehe
pelo jeito estão no sagrada familia.. é legal aí, e não deixe de provar o american cola hehe
boa sorte e continue mandando noticias.
Estamos no Serpa Pinto, Salem. :-)
Ainda não provei a American Cola. Vou experimentar. A Fanta Ananás não desce mais. hehe
Espero que vc consiga tirar e publicar muitas fotos, Felipe.
Brigada pelas dicas.