Felipe Arruda

Eu uso monocelha e acho legal!

Luanda - parte 7

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- Arito, já viu algum pula* fazer xixi na rua?
- Já, já vi sim.
- Então vai ver mais um.

O João (que já deve estar em Lisboa) e o Arito (motorista) deram risada e eu desci do carro para me aliviar atrás de algumas árvores na praia.

Eu passei o domingo todo reclamando da incontinência urinária dos homens da cidade, mas acabei me rendendo no domingo passado.

O trânsito aqui é complicado, estilo cada um por si e Deus contra todos. A saída da ilha de Luanda no domingo à tarde é simlesmente infernal. Chegamos na ilha às 18:30h e já víamos a fila que se formava para deixar a ilha. Matamos um tempo no Café del Mar com a esperança de que o congestionamento diminuísse, mas não adiantou muito. Era 19:30 e tudo continuava igual.

A estrada que se usa para entrar e sair da ilha é de mão dupla e estreita. Talvez o ideal fosse apenas uma faixa em cada direção, até porque em alguns trechos os carros estacionados também disputam espaço com aqueles que estão tentando trafegar:


Mas na prática, isso não funciona. Com o grande número de veículos daqui, duas faixas para cada sentido ajudam a diminuir engarrafamentos:


O problema é que aqui tem muitos veículos e muitos motoristas com pouca paciência. Então é fácil presenciar o nascimento de uma terceira faixa no acostamento ou na linha que divide os dois sentidos. Quando algum espertinho resolve fazer isso, outros espertinhos resolvem segui-lo e o trânsito já começa a ficar bagunçado:

Dependendo do horário, é normal que um sentido esteja mais congestionado que o outro. Sair da ilha às 19h, por exemplo, é uma tarefa difícil. Mas entrar na ilha neste horário é muito tranqüilo. Por isso, em alguns momentos, a segunda faixa de algum sentido acaba desaparecendo por alguns instante. Neste momento alguns motoristas ainda mais espertinhos resolvem invadir a contra-mão e fazer o rio correr ao contrário:

E, como se não bastasse, os motoristas resolvem alternar entre as quatro faixas para tentar ganhar tempo:

E nada é tão ruim que não possa piorar. Domingo passado, por exemplo, um carro que tentava entrar na ilha se recusava a ceder a faixa invadida por um candongueiro que tentava sair da ilha. Os dois ficaram parados, um de frente para o outro, num longo teste de paciência. A quarta faixa, que nem deveria existir, já não andava mais. Assim, os espertinhos que estavam nela precisavam cortar a frente dos motoristas das outras faixas para poderem prosseguir viagem:

Adicione a este cenário motos costurando entre os carros, buzinas, gritos, vendedores ambulantes, uma ou outra confusão e você vai entender porque não consegui segurar por mais tempo. Luanda, minhas sinceras desculpas. Prometo que de agora em diante vou sempre me despedir do banheiro antes de tentar sair da ilha.

* Pula é gíria para branco.

Written by felipe

November 26th, 2008 at 7:17 am

Posted in Angola, Viagem

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2 Responses to 'Luanda - parte 7'

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  1. Isso me lembrou bastante os feriados de Ano Novo e Carnaval no litoral de SP. Você deveria experimentar um dia, 6 horas pra fazer um trajeto de 45 minutos :-)

    caio1982

    26 Nov 08 at 8:38 am

  2. Rapaz, isso me lembra o trânsito na índia. Mas quer sufoco mesmo? Pegue o trem em Mumbai às 6 da tarde.

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