Em 2007, quando fui para a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), eu estava saindo de férias com dinheiro de sobra para o roteiro Curitiba-Santos-Paraty-Rio de Janeiro-São Paulo-Curitiba. Fui de carro com os amigos, ficamos em uma pousada pomposa e etc. Este ano eu estava com pouco dinheiro e sem companhia, mas fui mesmo assim.
A princípio eu ficaria em um camping. Emprestei barraca, colchão inflável, mochila de sei lá quantos litros e levei uma lanterna. Pela primeira vez eu fui viajar sozinho e a primeira coisa que aprendi é que viajar sozinho não existe. Fiz amizades em todos os momentos da viagem, claro que algumas temporárias.
Na descida de São Paulo para Paraty conheci um gaúcho que fazia aquele trajeto todo ano. Ele trabalha na FLIP e, depois da festa, vai caminhando até Aparecida do Norte, por devoção. Ele me contou que faz o trajeto todo a pé, em três dias. A parte bacana é que ele estava considerando adotar isto como forma de turismo. A próxima meta dele é descer a pé de Diamantina até Paraty, fazendo assim todo o caminho de extração de diamante e ouro que os portugueses faziam durante a colonização.
Ao desembarcar resolvi dar uma olhada nos preços de albergues, para ver se custava muito mais do que a estadia no camping. Enquanto eu andava pelas ruas de mochila escutei alguém dizendo “Hello! Hello! Looking for hostel?”. Respondi que sim e em bom português. Ele me mostrou um quarto para duas pessoas no albergue dele, mas eu achei caro. Disse que queria um quarto coletivo por causa do preço. Daí ele me levou até o albergue Casa da Aventura.
O custo de dez dias no albergue seria o dobro do que eu gastaria no camping, mas mesmo assim aceitei. Paraty estava cheia de poças d’água e eu não quis pegar chuva na minha primeira experiência em um camping. Traí o movimento e resolvi partir para a minha primeira experiência em um albergue. Acho que fiz uma boa escolha. Até agora sinto falta do festival de sotaques que eu ouvia todo dia: pernambucano, paulista, carioca, mineiro, brasiliense, francês, inglês, australiano, peruano.
Paraty sem FLIP, ainda calma
Desta vez eu também cheguei três dias antes da FLIP e saí um dia depois dela. Em um dos dias antes da feira eu fiz um passeio de jeep, para conhecer algumas coisas que eu não tinha visto em 2007. O jeep tour sai por volta das 10h da manhã e retorna à cidade às 16h ou 17h. São seis os pontos de parada:
Cachoeira da Pedra Branca – uma cachoeira que fica em uma propriedade particular e onde funcionava uma hidrelétrica. Se você gosta de água gelada, leve traje de banho.
Cachoeira da Pedra Branca
Poço dos Ingleses – um rio bonito e com muitas árvores em volta. Em uma das margens tem um barranco e na beira do barranco uma árvore com uma corda amarrada em um dos galhos. O pessoal costuma balançar na corda e se jogar na parte mais tranquila do rio, o tal poço. Parece divertido, mas não pulei. Não levei calção de banho.
Poço dos Ingleses
Fazenda Murycana – propriedade do século XVII que, antigamente, era conhecida como Três Fazendas. Lá tem um engenho onde é possível experimentar cachaça envelhecida há doze anos em carvalho. Tem cachaça com maracujá, abóbora, melado e outros sabores. Foi o meu primeiro gole de pinga. Achei bom. Na fazenda também tem muitos objetos do século XVII e um restaurante, onde o grupo do jeep tour costuma almoçar durante o passeio.
Cachoeira do Tobogã – pra quem gosta de água, este é muito legal. Uma cachoeira com água que desliza por cima de uma pedra grande, lisa e íngrime, formando um tobogã natural. Em uma certa época do ano tem até competição de surfe na pedra neste local, apesar da placa na entrada que não recomenda que as pessoas escorreguem em pé, para evitar acidentes. Veja o vídeo abaixo para ter uma noção. Pertinho da cachoeira tem também a Igreja de Nossa Senhora da Penha.
Alambique – como perdemos muito tempo na fazenda, tivemos que pular esta parada.
Exposição de orquídeas e bromélias – uma floricultura com uma área grande de cultivo de orquídeas e bromélias. Eu não gostei muito. Como minha mãe já teve uma floricultura, eu já conhecia boa parte das plantas de lá. Mas o resto do grupo parece ter gostado, em especial quatro senhoras de Mendonza pra lá de divertidas.
É possível visitar todos esses pontos sem pegar o jeep tour, mas alguns ficam um pouco distantes da cidade e você terá que pegar estrada de terra para chegar até eles. Os mais preparados fisicamente podem alugar uma bicicleta na cidade e fazer o trajeto pedalando. O passei a cavalo também leva os turistas até esses pontos.
Na Fazenda Murycana eu percebi que mais uma vez os pássaros me avisaram que eu estava longe de casa. Desta vez foram o tiê-sangue e a Saíra-sete-cores que roubaram a cena. São dois pássaros muito bonitos, de cores fortes e que eu ainda não conhecia. Foi i mpossível não lembrar do peito-celeste.
No albergue também conheci um cara que trabalhava como estátua viva em frente à Igreja de Santa Rita. Vestido de escravo ele contava alguns fatos históricos sobre aquela região e também fazia sucesso com as estrangeiras, que adorava tirar fotos com ele. Acho que o nome dele era Anderson, não me lembro.
Estátua viva
O resto da viagem eu dediquei à FLIP e à OFF-FLIP. O resumo das discussões e mesas que assiti estão no Logorréia. Para quem pretende ir à FLIP de 2010 sem gastar muito e ainda não conhece Paraty, aqui vão algumas dicas:
Onde ficar:
Albergue Casa da Aventura. Pessoal legal, café da manhã bom (R$5) e diárias a R$25. O preço muda durante a FLIP. Fica perto da rodoviária e a uma quadra do centro histórico.
O camping do Pontal cobrava R$18 por dia durante a FLIP, sem lembro bem.
Onde comer:
Sabor da Terra, na avenida principal, que vai até o centro histórico, é barato. Buffet por quilo. Meu prato com um refrigerante custava menos de 15 reais.
Grão da Terra. Restaurante vegetariano, na mesma avenida. Se não me engano fica numa galeria chamada Gibran. Almoço com suco sai por média de 20 reais. Um pouco caro, mas se precisar de um almoço gostoso, vale a pena. Também servem cafés, salgados e sucos.
Sorveterapia. Não é muito barato, mas pela qualidade é a melhor opção de sorvete em Paraty. Sem gordura hidrogenada, sem corantes e também possui opções sem lactose. Se quiser economizar, evite as sorveterias do centro histórico. Apesar de boas, são caras.
Tem uma lanchonete em frente à Sorveterapia que serve salgados, queijo-quente, sucos e refris. Embora tenha poucas opções vegetarianas, é muito barato.
Caminhe pela Avenida Roberto da Silveira, aquela que vai até o começo do centro histórico. Lá tem muitas opções baratas de alimentação e também tem lugares que servem açaí e cupuaçu na tigela, com banana e granola. Nesta rua também tem mercearias, quitandas e, perto da rodoviária, tem um supermercado. Se quiser economizar ainda mais, pode comprar comida no mercado e preparar no albergue. Só lembre de lavar a louça e limpar a cozinha depois que terminar.
Internet:
O albergue tem wi-fi. Eu descolei a senha com uma francesa, mas se você pedir na recepção eles te informam.
Se for usar Lan House, recomendo a Dog Fighter. As outras que usei eram tão ruins que nem vale a pena citá-las.
Passeios:
O pessoal do albergue tem parceria com uma empresa de turismo. Recomendo que comprem os passeios com eles. Tem um passeio de escuna que parece muito procurado. Custa R$30, serve frutas e café, tem música ao vivo e faz paradas em quatro ilhas/praias. Eles servem almoço à bordo por cerca de R$20, mas você também pode levar um lanche/almoço, caso não queiram gastar ou prefira garantir sua dieta. Tem outras opções de passeios, como o de jeep que citei anteriormente.
Trindade. Por 3 reais vocês pegam ônibus ou van para Trindade. O lugar tem praias muito bonitas, com montanhas em volta. De preferência pegue um dia bem ensolarado e com céu aberto. Conversem com o pessoal do albergue sobre o que ver em Trindade, eles têm boas dicas.
Noite:
Tenha na mochila sempre um casaquinho ou suéter, porque esfria um pouco quando começa a anoitecer. Pelo menos em julho.
Dinho’s Bar é uma lugar bacana e barato e durante a FLIP tem sempre programações legais, como saraus e lançamentos de livros.
Atrações turísticas no centro histórico:
Igrejas antigas, construídas entre os séculos XVI e XVII. Algumas funcionam como museu de arte sacra, como a de Santa Rita. Se não quiser pagar dois reais para visitar uma igreja, espere o horário da missa para visitá-la.
Biblioteca municipal com fotos de escravos e documentos da época da fundação da cidade
Praça da Matriz
Cais (em frente à biblioteca e perto da Igreja de Santa Rita)
Note os símbolos maçônicos nas fachadas das casas do centro histórico.
Olhe pra cima. Algumas plantas nascem nos telhados das casas do centro histórico.
E a regra geral: Pesquise o máximo que puder o preço de alguma coisa antes de comprar e evite comprar o que não for necessário ou exclusivo
de Paraty. Os preços aumentam de acordo com a proximidade da Praça da Matriz.
Pois é Matheus, eu não sou um bom exemplo de economia. Um amigo meu viajou por três estados diferentes durante 20 dias com a mesma quantia que eu gastei em Paraty durante 10 dias. haha
Se eu for este ano vou tentar economizar mais. Encontrar um albergue mais barato e preparar minha própria alimentação, por exemplo. :-)
Rita
Felipe, sua descricao foi muito boa para um otimo lugar. Adorei Paraty, a flip, as pessoas. Me mande seu email. Um abraco!
Marcita
Caramba, essa cachoeira é incrível, Felipe!
quero ir, quero ir!
felipe
Opa! Quem sabe a gente não vai junto pra FLIP 2010? :-)
Matheus José
Poxa.fiquei em Paraty 2 meses.E olha,te falar a real.Maravilha.Nun gastei tudo isso ae não heim.
felipe
Pois é Matheus, eu não sou um bom exemplo de economia. Um amigo meu viajou por três estados diferentes durante 20 dias com a mesma quantia que eu gastei em Paraty durante 10 dias. haha
Se eu for este ano vou tentar economizar mais. Encontrar um albergue mais barato e preparar minha própria alimentação, por exemplo. :-)
Obrigado pelo comentário!