O Apocalipse deveria ter acontecido no último dia 21. Não que eu esteja lamentando o fato de termos chegado a 2013. Afinal, seria ingrato da minha parte reivindicar essa tragédia pouco tempo depois de ter sobrevivido a ela. O que afirmo na primeira frase é que muitos acreditavam que o mundo não passaria de meados de dezembro, e, se levarmos isso em conta, podemos nos considerar sortudos, já que deuses, calendários maias e desastres naturais resolveram nos poupar mais uma vez.
Mais uma vez, sim, pois não faz muito tempo que me lembro de ter sobrevivido ao fim do mundo que, supostamente, deveria ter acontecido na transição do ano de 1999 para 2000.
E não foram só esses dois. Houve também uma terceira ocasião – não me lembro a data – que deveria ter servido como prelúdio para o armagedom. Na minha memória ainda está fresca a imagem de minha avó, religiosa como sempre, alertando aos primos e a mim sobre os três dias de trevas pelos quais passaríamos. Mas nada feito: o sol nasceu normalmente.
Hoje, me sinto ainda mais sortudo. E o motivo não é o fato de ter passado ileso por três previsões de fim dos tempos. A razão é muito melhor: a Internet me avisa que já sobrevivi a nada menos do que 60 apocalipses! Com apenas um ano de idade, por exemplo, tive que passar pelo meu primeiro fim do mundo frustrado, previsto para acontecer em 1981, de acordo com um tal de Chuck Smith.
Isso sem contar os apocalipses pessoais, que o autor do site não tem conhecimento. Houve, por exemplo, aquela noite em que nosso ônibus de viagem foi sequestrado por assaltantes de banco. Ou então aquele mês em que passei na UTI por causa de erro médico. Ou o telefonema no meio da noite anunciando a minha primeira perda de um ente querido.
E apesar de todas as possibilidades de apocalipses pelas quais já passei, ainda há muito o que temer. Segundo o mesmo site, o planeta pode ser devastado logo em 2013, de acordo com um missionário que já errou duas vezes a data para o retorno de Cristo.
Porém, neste primeiro dia do ano, o único sinal do Apocalipse que me atormenta – além da imprevisibilidade da vida – é o fato de que todo este texto foi escrito e postado a partir de um tablet, usando um teclado virtual e sem feedback tátil e que leva a qualquer texto um verdadeiro hecatombe de erros de digitação.
Se a linguagem escrita pode ser parte daquilo que ajuda a moldar a História e a realidade, podemos dizer que, na era pós-PC, este pequeno experimento de postagem fora de um computador convencional pode demonstrar que o mundo já está dando indícios do seu rim, (deleta), sim, (deleta), fim.
Com quantos apocalipses se faz um sobrevivente? Que se fodam os asteroides em rota de colisão e a Terra pegando fogo. Quando o meu mundo acaba é sempre pior :B rs
Sim, sempre pior :-(