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	<title>Felipe Arruda &#187; Bla</title>
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	<description>Astronomia, literatura, viagens e outros hobbies e interesses</description>
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		<title>Vacantia campi, uma criatura em extinção</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 02:41:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ameaçadas de extinção, as vagas de estacionamento público (Vacantia campi) têm como habitat natural os centros urbanos, locais onde quase não têm sido mais avistadas. Em regiões menos movimentadas, como bairros domiciliares e zonas rurais, ainda é possível observá-las com mais &#8230; <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2011/12/vacantia-campi-uma-criatura-em-extincao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 586px"><img class="  " title="Bando de Vacantia campi em seu habitat natural" src="http://felipearruda.com/parking-2.jpg" alt="Bando de Vacantia campi em seu habitat natural" width="576" height="432" /><p class="wp-caption-text">Bando de Vacantia campi em seu habitat natural</p></div>
<p>Ameaçadas de extinção, as <em>vagas de estacionamento público</em> (<em>Vacantia campi</em>) têm como habitat natural os centros urbanos, locais onde quase não têm sido mais avistadas. Em regiões menos movimentadas, como bairros domiciliares e zonas rurais, ainda é possível observá-las com mais frequência, embora essa situação também esteja mudando.</p>
<p>A domesticalização de <em>automóveis</em> (<em>Veiculum potissimum</em>) e <em>motocicletas</em> (<em>Duabus rotis</em>) está diretamente ligada à diminuição da <em>vaga</em>, já que, dentro da cadeia alimentar das grandes cidades, essas criaturas se comportam como predadores vorazes da espécie ameaçada. Entre os problemas relacionados com essa atividade predatória desigual está, por exemplo, o impacto ambiental e mental causado pela diminuição do espaço público.</p>
<p>O desequilíbrio causado pelo extermínio da <em>Vacantia campi</em> também é preocupante. Como a diminuição da espécie está relacionada com a superpopulação de <em>Veiculum potissimum</em> e <em>Duabus rotis</em>, não demorará muito para que o ecossistema entre em colapso e os predadores passem a competir entre si, levando a uma drástica redução da própria comunidade.</p>
<p>Infelizmente, essa parece ser a única solução para o reaparecimento de bandos de <em>Vacantia campi</em> nas capitais brasileiras. Pesquisadores e cientistas ainda não conseguiram encontrar uma forma de favorecer o equilíbrio entre essas espécies, mas estudos avançados indicam que a inserção de um agente externo — a <em>Birota urbana</em>, conhecida popularmente como <em>bicicleta</em> — pode colaborar para o desenvolvimento positivo do ecossistema.</p>
<p>Outras maneiras de combater a extinção da vaga seria a criação, preservação e inserção de <em>Automatum publica</em> (pop.: <em>transporte público</em>) no mesmo habitat da espécie, além, é claro, do investimento em educação ambiental, que pode ajudar as próximas gerações de humanos a conviverem harmoniosamente com outras criaturas.</p>
<p>Enquanto isso, uma nova espécie (<em>Vacantia captivitatis</em>) tem sido criada em cativeiros apelidados de <em>estacionamentos</em>. Ao atingirem certo grau de maturidade, essas criaturas são alugadas temporariamente por donos de <em>Veiculum potissimum</em> e <em>Duabus rotis</em>. Tal atividade tem ajudado a suprir a ausência de <em>Vacantia campi</em> nos centros das cidades, mas o combate à extinção da <em>vaga</em> está apenas começando.</p>
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		<title>Sobre a produção de um pornô curitibano</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2011/11/sobre-a-producao-de-um-porno-curitibano/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2011 11:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Curitiba]]></category>
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		<category><![CDATA[Pornografia]]></category>

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		<description><![CDATA["...apesar das tentativas de disfarce, todos sabem que a mais europeia das capitais possui, por debaixo dos panos, a sexualidade outrora desencanada dos índios brasileiros. Na Rua Cruz Machado, por exemplo, funciona uma espécie de Red Light District e, sob as copas das árvores da Getúlio Vargas, atuam travestis do tipo exportação..." <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2011/11/sobre-a-producao-de-um-porno-curitibano/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="imagem via http://fetaolympus.com/" src="http://felipearruda.com/milk.jpg" alt="imagem via http://fetaolympus.com/" width="553" height="415" /></p>
<p>É famoso o apreço que o povo de Curitiba tem pela província, chegando a defender as pretensas virtudes da urbe a um nível praticamente agressivo. E, como é de conhecimento de todos, há muita sexualidade na agressão. É por isso, por exemplo, que pessoas disfarçam as próprias perversões com violência, afastando para longe de si o foco das atenções.</p>
<p>Mas apesar das tentativas de disfarce, todos sabem que a mais europeia das capitais possui, por debaixo dos panos, a sexualidade outrora desencanada dos índios brasileiros. Na Rua Cruz Machado, por exemplo, funciona uma espécie de Red Light District e, sob as copas das árvores da Getúlio Vargas, atuam travestis do tipo exportação. No Passeio Público, enquanto as crianças se encantam com os bichos enjaulados, os senhores pais cortejam cortesãs nos bancos do minizoo.</p>
<p>Obviamente, é preciso lutar contra a repressão da sexualidade do povo de Curitiba. O que se propõe, então, é uma exploração dessa situação de maneira positiva, de forma que seja possível guiar a cidade a uma sensualidade mais liberal. E já que o mercado de produtoras pornográficas ainda é muito fraco na capital, há grandes chances de que, com um pouco de investimento, a indústria ganhe sua forma e a cidade venha a ter os seus próprios “jeremys” e “saints”.</p>
<p>A priori, “Leite Quente” parece ser o melhor título para o primeiro pornô legitimamente curitibano. Além de ambiguamente jocosa no contexto sensual, a frase que melhor descreve o tal sotaque dos pinherais também pode ser usada como bordão durante as transas: “Quer leite quente, guria?”. Tudo phalado, é claro, da forma como se escreve.</p>
<p>Outros regionalismos também podem ser explorados. Caso a produtora decida investir no pornô desviante, por exemplo, pode usar como figura de linguagem o “pão com duas vinas”, um dos lanches preferidos das bandas de cá. E se uma cena acontecer dentro do ambiente escolar, é aconselhável que se faça repetidas menções à palavra “penal”.</p>
<p>Ainda pensando na linguagem empregada pela produção, é necessário que o roteirista seja capaz de reconhecer e de traduzir, com muita destreza, a brevidade ou ausência de diálogos entre desconhecidos. Porém, a representação da (falta de) cordialidade curitibana não deve ser tão fiel, ou corre-se o risco de arruinar o “clima” necessário para as cenas de sexo.</p>
<p>A filmagem de transas casuais em elevadores, por exemplo, deve ser evitada a todo custo. É de conhecimento geral que moradores e moradoras da capital paranaense não dispensam simpatias em ambiente tão hostil. Também devem ser cortadas expressões como “bom dia”, “obrigado” e “por favor: quanto mais seco o diálogo, melhor. Sempre sem arruinar o clima, claro.</p>
<p>O “efeito cebola” também pode ser aproveitado em longas cenas de striptease. As muitas camadas de roupas devem ser retiradas aos poucos, à medida que a situação começar a esquentar, como uma clara referência às bruscas mudanças climáticas que enchem o povo de blusas, japonas e botas.</p>
<p>O maior problema que essa nova indústria poderia encontrar — além do tempo ruim que impediria filmagens externas — é a temida autofagia curitibana. Por mais que alguns aleguem que esse seja um empecilho já superado, a verdade é que o sucesso do vizinho ainda é visto com desconfiança entre os cidadãos daqui.</p>
<p>Sendo assim, o processo de divulgação de um pornô legitimamente curitibano passará, necessariamente, por duas etapas: primeiramente, a obra venderá como água. Afinal, além do sexo, o filme também aborda o maior fetiche da cidade, que é a própria cidade. Depois, quando o público perceber que a produção é curitibana e que ela começa a ganhar o eixo RJ-SP, passará a desdenhá-la.</p>
<p>Infelizmente, a produção terá que contornar essa situação de alguma forma. Não será fácil, mas com perseverança e dedicação, a produtora voltará a ter o prestígio que merece na capital, principalmente depois do terceiro ou quarto lançamento bem recebido pela imprensa nacional ou estrangeira.</p>
<p>Entre trancos e barrancos, venceremos: já passou da hora de mostrar para o mundo que Curitiba também pode ser quente!</p>
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		<title>Hercólubus: o planeta-cometa de V.M. Rabolú</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Oct 2011 23:43:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem vive em Curitiba já deve ter visto, pelas bancas do centro, cartazes sobre &#8220;Hercólubus ou Planeta Vermelho&#8221;, livro de V.M. Rabolú que alerta sobre a ameaça de um planeta-cometa que há de se chocar contra nós. Dia desses, Raquel &#8230; <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2011/10/hercolubus-o-planeta-cometa-de-v-m-rabolu/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 548px"><img class="   " title="Cartazes promocionais do livro de V.M. Rabolú" src="http://felipearruda.com/novo_planeta_rc.jpg" alt="Cartazes promocionais do livro de V.M. Rabolú" width="538" height="403" /><p class="wp-caption-text">Cartazes promocionais do livro de V.M. Rabolú</p></div>
<p>Quem vive em Curitiba já deve ter visto, pelas bancas do centro, cartazes sobre &#8220;Hercólubus ou Planeta Vermelho&#8221;, livro de V.M. Rabolú que alerta sobre a ameaça de um planeta-cometa que há de se chocar contra nós.</p>
<p>Dia desses, <a href="http://www.todaela.com.br/blogs/all-that-jazz" target="_blank">Raquel</a> me emprestou a cópia dela e prometi que faria uma resenha. Contudo, não sei se darei conta do trabalho. Essa obra, apesar de pequena, pode ser analisada sob tantos pontos de vistas que, por mais que eu me esforce, sei que estou fadado a falhar.</p>
<p>Sendo assim, gostaria de pedir para o estimado leitor e a querida leitora que, indiferentemente do meu texto, se dê ao trabalho de <a href="http://www.hercolubus.tv/hercolubus-ou-planeta-vermelho-portugueses.html" target="_blank">solicitar</a> uma cópia do livro e tirar suas próprias conclusões. O envio é gratuito.</p>
<h2>O ser interno do autor</h2>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 364px"><img title="V. M. Rabolú" src="http://felipearruda.com/rabolu20.jpg" alt="V. M. Rabolú" width="354" height="501" /><p class="wp-caption-text">V. M. Rabolú</p></div>
<p>A página da Wikipedia sobre o autor do livro é pequena e possui poucas informações. Mas a partir dela descobrimos que <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/V._M._Rabolu" target="_blank">V.M. Rabolú</a> é o &#8220;pseudônimo&#8221; de Joaquin Enrique Amortegui Valbuena: agricultor e ocultista colombiano.</p>
<p>Note que eu não gosto de usar aspas desnecessariamente. Aquelas, do parágrafo anterior, foram muito bem pensadas. Explico: Rabolú era discípulo de Samael Aun Weor, fundador do gnosticismo samaelino. Mas Weor é, na verdade, o nome do <strong>ser interno</strong> de Victor Manuel Gómez Rodríguez.</p>
<p>Me falta conhecimento ocultista para poder falar mais sobre essa particularidade. Talvez por isso eu tenha achado o detalhe tão artístico, assemelhando-se muito aos seres internos que habitavam Fernando Pessoa, por exemplo, poeta notavelmente e paradoxalmente místico e cético.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://felipearruda.com/Ercolubus36.GIF" alt="" width="314" height="224" /></p>
<p>Paradoxal, inclusive, pode ser um dos adjetivos que permeiam o texto de Rabolú. Em alguns trechos, o autor — ou o seu ser interno — se contradiz em questão de poucas palavras, chegando inclusive a expor um pouco de ódio nessa mensagem de paz.</p>
<p>É possível traçar mais detalhes da característica psicológica do autor, mas temo ser leviano ao considerar essas suposições como componentes reais e não recursos estilísticos de um escritor que, porventura, queira apenas explorar o limite tênuo que há entre ficção e realidade, sendo que essa última é moldada de maneira ficcional por nosso cérebro real.</p>
<h2>Narração febril e concisa</h2>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 640px"><img title="Em Rabolú, &quot;choque de civilizações&quot; ganha novo sentido" src="http://felipearruda.com/Melancholia.jpg" alt="Em Rabolú, &quot;choque de civilizações&quot; ganha novo sentido" width="630" height="230" /><p class="wp-caption-text">Em Rabolú, &quot;choque de civilizações&quot; ganha novo sentido</p></div>
<p>Nas poucas palavras que compõem a introdução da obra, Rabolú explica que escreveu o livro enquanto estava &#8220;deitado numa cama sem poder levantar nem sentar-me&#8221;. Mesmo assim, venceu a doença ou indisposição que o acometia e redigiu, com muito esforço, a mensagem que compõem esse livro, dedicando-a à Humanidade, sempre com H maiúsculo.</p>
<p>O tom inicial é de extrema desolação. Rabolú anuncia a existência de Hercólubus, planeta com tamanho de 5 a 6 vezes maior do que Júpiter<em>.</em> Depois, o autor fala sobre o descaso que cientistas e terrícolas fazem do astro que vem em direção ao nosso lar.</p>
<p>É impossível não se lembrar de <strong>Melancholia</strong>, último filme de <strong>Lars von Trier</strong>. Mas basta comparar as datas de lançamentos de ambas as obras para saber quem foi que inspirou a quem: a primeira edição de Hercólubus foi lançada em 1998 e a película de Trier chegou aos cinemas apenas neste ano (2011).</p>
<p>O narrador, que ataca de maneira peçonhenta a ciência e as potências mundiais terrícolas, chega a detalhar passos do processo de aproximação do astro invasor em nossos Sistema Solar. Faz, contudo, não com o propósito de aterrorizar, mas de prevenir, já que sofre de angústia pela &#8220;pobre Humanidade&#8221;.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 598px"><img class="  " title="Teria Trier se inspirado no livro de Rabolú?" src="http://felipearruda.com/melancholia_3-1.jpg" alt="Teria Trier se inspirado no livro de Rabolú?" width="588" height="251" /><p class="wp-caption-text">Teria Trier se inspirado no livro de Rabolú?</p></div>
<p>No geral, a narração é concisa e sem detalhes técnicos que possam explicar ou aprovar a veracidade dos fatos. Rabolú se atém ao alarme e, de maneira quase desordenada, febril, interrompe o assunto sobre o planeta vermelho e passa a descrever a vida e a sociedade de Vênus e Marte, seguindo depois para algumas reflexões sobre a morte e as técnicas de desdobramento astral.</p>
<p>Não fica clara a forma como esses temas se interligam, mas é possível deduzir que o desdobramento é uma das maneiras de se preparar para o inevitável choque de Hercólubus contra a Terra.</p>
<h2>Vênus e Marte: sociedades bolsonaristas</h2>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 506px"><img class=" " title="Vênus e Marte, nossos vizinhos" src="http://felipearruda.com/marteevenus.jpg" alt="Vênus e Marte, nossos vizinhos" width="496" height="240" /><p class="wp-caption-text">Vênus e Marte, nossos vizinhos</p></div>
<p>Graças a esse desdobramento astral, Rabolú mantém contato com seres extraterrestres, tendo já visitado as sociedades de nossos vizinhos: Vênus e Marte. O escritor diz não ter &#8220;palavras para descrever a sabedoria, a cultura e a vida angélica que levam esses seres&#8221;.</p>
<p>Porém, ainda perturbado pela incerteza que divide realidade e ficção, me sinto um pouco preocupado com esses povos. Logo no início de sua descrição, Rabolú faz questão de ressaltar que em Vênus não existem &#8220;barrigudos&#8221;, emendando logo em seguida que também não se vê &#8220;pessoas desfiguradas&#8221;.</p>
<p>Como se não bastasse, o narrador faz questão de dizer que em tal planeta também não há &#8220;fornicação como aqui, pois os terrícolas são piores do que as bestas&#8221;. Nesse ponto, notei uma espécie de reminiscência da culpa cristã em relação ao sexo, que se confirma quando Rabolú afirma não existir  &#8221;degenaração sexual como há aqui, que já até os senhores padres estão casando homossexuais, porque o homossexualismo neles não existe. São homens verdadeiros e mulheres verdadeiras&#8221;.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 398px"><img title="Cupido, Marte e Vênus, por Paolo Veronese" src="http://felipearruda.com/cupido-marte-e-venus.jpg" alt="Cupido, Marte e Vênus, por Paolo Veronese" width="388" height="498" /><p class="wp-caption-text">Cupido, Marte e Vênus, por Paolo Veronese</p></div>
<p>É claro que não podemos usar o termo &#8220;homossexual&#8221; — criado pela medicina terrícola para definir supostos desvios de conduta — em uma sociedade tão alienígena. Mas me preocupo pelo ponto de vista de Rabolú.</p>
<p>A vida em Marte é muito parecida com a de Vênus, segundo o autor. Em ambas, a terra é um bem comum e lá não existe o conceito de posse, de &#8220;eu tenho algo&#8221;. Também não são necessários passaportes e permissões para fazer algo ou ir a algum lugar do planeta. Se em Vênus os habitantes usam uniformes, em Marte usam também escudos e capacetes: mas não praticam a guerra entre eles, apenas contra o <strong>mal</strong>. Infelizemnte, Rabolú não define, em momento algum, o que é o mal.</p>
<h2>A morte e o desdobramento astral</h2>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 442px"><img title="De acordo com o autor, quem sonha faz um desdobramento astral involuntário" src="http://felipearruda.com/projecao1.jpg" alt="De acordo com o autor, quem sonha faz um desdobramento astral involuntário" width="432" height="340" /><p class="wp-caption-text">De acordo com o autor, quem sonha faz um desdobramento astral involuntário</p></div>
<p>O capítulo sobre a morte é bastante confuso. Temo não ter a devida formação ou conhecimento para falar a respeito dele. O conceito de alma é traduzido aqui como &#8220;Chispa Divina&#8221; e o ser humano é comparado a uma árvore. A partir daí, a febrilidade do narrador se torna hermética demais. Resta em minha mente apenas o apelo que se deve fazer quando algum defeito se manifestar por meio da mente, do coração ou do sexo: &#8220;Minha Mãe, tira-me este defeito e desintegra-o com a tua lança&#8221;.</p>
<p>Para a prática do desdobramento astral, Rabolú recomenda a entoação de alguns mantrans, como <strong>LA RA S</strong> e <strong>FARAON</strong>. É possível conferir o cantar correto no site da <a href="http://www.hercolubus.tv/hercolubus-ou-planeta-vermelho-portugueses.html" target="_blank">Associação Alcione</a>.</p>
<h2>Conclusão metalinguística</h2>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://felipearruda.com/493186_325.jpg" alt="" width="288" height="400" /></p>
<p>Terminei a leitura com a sensação de que li uma obra carregada de referências a si própria, sendo inclinado a considerá-la como um exercício de ficção ou escrita criativa, cujo tema principal é o humor.</p>
<p>Não digo isso como quem quer ridicularizar o livro e seus seguidores, mas me baseando em um detalhe que pode acabar passando despercebido por alguns. Na última capa, V.M. Rabolú escreve:</p>
<blockquote><p>O que afirmo neste livro é uma profecia a muito curto prazo, porque me consta o final do planeta, conheço-o. Não estou assustando, senão prevenindo, porque tenho angústia por esta pobre Humanidade, já que os fatos não se fazem esperar e <strong>não há tempo a perder em coisas ilusórias</strong>.</p></blockquote>
<p>São as últimas palavras que, ao meu ver, denunciam o inteligente teor humorístico da obra. É como se Rabolú, para nos ensinar que não devemos perder tempo com &#8220;coisas ilusórias&#8221;, tivesse nos apresentado uma profecia que é, por si só, totalmente ilusória. A graciosidade dessa <em>metapiada</em> é o que torna o livro tão singular.</p>
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		<title>Tentativa de podcast: Geek Out!</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jul 2011 12:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Já faz alguns meses que alguns amigos e eu resolvemos começar um podcast com temática geek/nerd. Na verdade, até parece mais um bate-papo público, com direito a muita falação de bobagens e piadinhas infames. De qualquer forma, este post é &#8230; <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2011/07/tentativa-de-podcast-geek-out/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já faz alguns meses que alguns amigos e eu resolvemos começar um <a href="http://www.geekout.com.br/" target="_blank">podcast</a> com temática geek/nerd. Na verdade, até parece mais um bate-papo público, com direito a muita falação de bobagens e piadinhas infames. De qualquer forma, este post é para avisar que, depois de alguns contratempos, conseguimos, finalmente, publicar um <a href="http://www.geekout.com.br/2011/07/08/episodio-002-ddos-e-coisa-de-falido-2/" target="_blank">segundo episódio</a> Beta.</p>
<p>Ainda estamos pegando o jeito, tentando melhorar a qualidade do áudio e da forma como abordamos os assuntos, mas acho que já está, pelo menos, minimamente aceitável. Porém, como disse, o Geek Out! ainda está em fase Beta. Então, se por acaso você acabar escutando esses <a href="http://www.geekout.com.br/2011/07/08/episodio-002-ddos-e-coisa-de-falido-2/" target="_blank">40 minutos de falatório</a>, deixe um comentário dizendo o que achou e o que poderia ser melhorado.</p>
<p>Nós agradecemos!</p>
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		<title>Consumo geek de baixo orçamento</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2011/06/consumo-geek-de-baixo-orcamento/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Jun 2011 02:10:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Quatro coisas chegaram aqui em casa nos últimos meses. A primeira delas foi o ZTE X850 (Racer), um dos celulares mais baratos com Android do mercado brasileiro. Talvez o mais barato. Custou R$ 299, com a possibilidade de parcelar em 12 &#8230; <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2011/06/consumo-geek-de-baixo-orcamento/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quatro coisas chegaram aqui em casa nos últimos meses. A primeira delas foi o <strong>ZTE X850</strong> (Racer), um dos celulares mais baratos com Android do mercado brasileiro. Talvez o mais barato. Custou R$ 299, com a possibilidade de parcelar em 12 vezes sem juros.</p>
<p><img class="aligncenter" title="ZTE X850" src="http://handies.phandroid.com/media/zte-racer-1284499579-466.jpg" alt="" width="465" height="296" /></p>
<p>Serei justo: o touchscreen resistivo é ruim, como era de se esperar. É preciso uma certa pressão ou, então, o uso da stylus. Mas não é de todo ruim. O problema é que as <em>iCoisas</em> dos amigos me deixaram mal acostumado.</p>
<p>Outros contras são a câmera e o áudio: bem fracos. Nada de usar o X850 para ouvir funk no ônibus sem fone de ouvido. O volume máximo é um pouco baixo, mesmo com fone.</p>
<p>Mas estou satisfeito. Não sou exigente em questão de celulares. Meus últimos aparelhos foram um Motorola F3, um Nokia 1111 e um LG GS107b. Uso mais por obrigação do que por gosto. E deixo claro: meu dou o direito de desligar e não atender ligações quando eu bem quiser.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="425" height="349"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/EpzYXkCadNo?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/v/EpzYXkCadNo?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>De qualquer forma, o ZTE X850 também tem suas vantagens: Wi-Fi, GPS, acelerômetro, Android 2.1, Backgammon Free. O processamento dele é bom, melhor do que eu esperava. 600 MHz. Porém, a memória principal é baixa. Acho que sobram uns 160 MB livres para o usuário. Achei inviável usar o Whatsapp, por exemplo.</p>
<p>Junto com o aparelho vem uma capa de couro sintético, uma stylus extra, cabo para transferência de dados e carregador de bateria. Se você puder gastar uns 100 reais a mais, acho que é melhor pegar um Galaxy 5. Mas se quiser algo só para twittar, jogar gamão e enviar SMS, pode ser uma boa.</p>
<p>Uma besteirinha bacana que veio da China foi o <strong>chaveiro espião</strong>. Comprado pelo meu irmão por um centavo de dólar no eBay. Contudo, o frete custou US$ 19,99, o que me faz pensar que deve ter alguma falcatrua implícita nesses valores.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="560" height="349"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pWU3ec4-p4c?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/v/pWU3ec4-p4c?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Bom, o brinquedo se parece com um chaveiro de alarme de carro, com dois botões. Um que liga a câmera e a deixa em stand by, e outro que pode ser pressionado para tirar fotos ou gravar vídeos com áudio. Para o tamanho e preço do dispositivo, a qualidade de gravação é boa. É modelo é praticamente igual ao do vídeo acima, então você pode ter uma ideia de como funciona.</p>
<p>Depois de uns cinco minutos com ele nas mãos, fiquei paranóico: hoje qualquer zé mané pode sair por aí, gravando tudo o que quiser, sem que ninguém saiba. Somos todos vigilantes e vigiados.</p>
<p>A terceira maravilha consumista desse ano foi um <strong>Kindle</strong>, trazido diretamente de NY na bagagem do <a href="http://alfanumerico.net/" target="_blank">casal alfanumérico</a>. Esse valeu cada centavo. Comprei o segundo modelo mais barato, sem 3G e sem anúncios. Vai ajudar na minha meta de ler mais livros em inglês.</p>
<p><img class="aligncenter" title="Kindle" src="http://ecx.images-amazon.com/images/I/51dOBEd2M3L.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Tenho muitos elogios: gostei da integração com o dicionário Oxford, do display de e-ink, do acervo da Kindle Store e das funçõezinhas extras, como captura de screenshot e <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2011/05/kindle-como-vencer-sempre-no-gomoku/" target="_blank">joguinhos</a> escondidos. A bateria dura bastante. Mas também existem alguns poréns. O browser não é dos melhores, embora seja um bom quebra-galho para situações de emergência. O MP3 Player é bem tosco. Basicamente, o usuário pode apenas pausar e pular para a próxima faixa. Nada de interface, só teclas de atalho.</p>
<p>Baixei samples que pudessem indicar algum problema de diagramação, como poesia e livros técnicos, mas não encontrei nada muito grave. Livros técnicos são perfeitos: fonte monoespaçada para comandos e trechos de código, legendas para imagens, boxes com cor de fundo diferenciada para informações relevantes. Como uma apostila impressa.</p>
<p>Entretanto, ainda tenho meus receios quanto aos e-books de poesia. No geral, achei que a página deixa pouco espaço de folga para os poemas, eles parecem um tanto &#8220;socados&#8221; na tela. Tentei encontrar algo que abusasse mais da forma, como e.e. cummings, mas tudo o que encontrei dele eram cartas e poemas visualmente bem comportados. Não sei se o Kindle comportaria <a href="http://www.poets.org/viewmedia.php/prmMID/15402">r-p-o-p-h-e-s-s-a-g-r</a>, por exemplo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Microscópio de bolso" src="http://www.dealextreme.com/productimages/sku_25239_1.jpg" alt="" width="420" height="420" /></p>
<p>Para terminar, nesta semana chegou em minhas mãos o <strong>microscópio de bolso</strong>. Custa pouco mais de 10 dólares na Deal Extreme, e eu aproveitei o pedido do Renan para inserir essa ferramenta indispensável no pacote. Amplia de 60 a 100 vezes, tem a construção um pouco fraca, mas é um ótimo brinquedo.</p>
<p>Bacana para ver insetos e para separar impressões em pontos CMYK. Também serve para observar fibras entrelaçadas de tecidos, pelos e cabelos, grãos de açúcar, areia, detalhes de selos e cédulas, estrutura maluca de espumas e outras porcarias minúsculas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Desenhe um homossexual!</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2010/11/desenhe-um-homossexual/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 18:49:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Grow]]></category>
		<category><![CDATA[heterossexual]]></category>
		<category><![CDATA[homossexual]]></category>
		<category><![CDATA[Imagem & Ação]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>

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		<description><![CDATA[Há uma carta no jogo Imagem &#38; Ação 2 que pede para o jogador representar, através de mímica ou desenho, um homossexual. A carta não saiu durante a nossa partida, mas mesmo assim eu fiz um desenho: Aliás, não sei &#8230; <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2010/11/desenhe-um-homossexual/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma carta no jogo Imagem &amp; Ação 2 que pede para o jogador representar, através de mímica ou desenho, um <a title="Valeu, @caio1982!" href="http://felipearruda.com/images/foto.jpg" target="_blank">homossexual</a>. A carta não saiu durante a nossa partida, mas mesmo assim eu fiz um desenho:</p>
<p><img class="aligncenter" title="Um homosexual" src="http://felipearruda.com/images/pessoa.jpg" alt="" width="580" height="470" /></p>
<p>Aliás, não sei se o jogo também pede para desenhar um heterossexual mas, de qualquer forma, também fiz um desenho:</p>
<p><img class="aligncenter" title="Um homosexual" src="http://felipearruda.com/images/pessoa.jpg" alt="" width="580" height="470" /></p>
<p>E desenhei também um bissexual, um transexual, um pansexual e um assexual, mas acho que vocês ficariam entediados se eu postasse todos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Fechando o punho</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2010/07/fechando-o-punho/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 01:36:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bla]]></category>
		<category><![CDATA[Idiomas]]></category>
		<category><![CDATA[Leituras]]></category>

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		<description><![CDATA[O Ivan traduziu um dos poemas que mais me tocou nos últimos meses: Making a Fist, de Naomi Shihab Nye. O original e a tradução estão logo abaixo, mas recomendo uma visita ao blog do Ivan. Aliás, lá também tem &#8230; <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2010/07/fechando-o-punho/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><P>O <a href="http://ossurtado.blogspot.com/">Ivan</a> traduziu um dos poemas que mais me tocou nos últimos meses: Making a Fist, de <a href="http://www.poets.org/poet.php/prmPID/174">Naomi Shihab Nye</a>. O original e a <a href="http://ossurtado.blogspot.com/2010/07/abrindo-mao-um-amigo.html">tradução</a> estão logo abaixo, mas recomendo uma visita ao blog do Ivan. Aliás, lá também tem a tradução de um outro poema da Naomi, <a href="http://ossurtado.blogspot.com/2010/07/mais-um-da-naomi.html">Cartas que o meu &#8220;presi&#8221; não vai enviar</a>.</p>
<p><CENTER><br />
<table border="0">
<tbody>
<tr valign="top">
<td>
<strong>Making a Fist</strong><br />
<em>by Naomi Shihab Nye</em></p>
<p>For the first time, on the road north of Tampico,<br />
I felt the life sliding out of me,<br />
a drum in the desert, harder and harder to hear.<br />
I was seven, I lay in the car<br />
watching palm trees swirl a sickening pattern past the glass.<br />
My stomach was a melon split wide inside my skin.</p>
<p>&#8220;How do you know if you are going to die?&#8221;<br />
I begged my mother.<br />
We had been traveling for days.<br />
With strange confidence she answered,<br />
&#8220;When you can no longer make a fist.&#8221;</p>
<p>Years later I smile to think of that journey,<br />
the borders we must cross separately,<br />
stamped with our unanswerable woes.<br />
I who did not die, who am still living,<br />
still lying in the backseat behind all my questions,<br />
clenching and opening one small hand.</td>
<td>
<strong>Fechando o Punho</strong><br />
<em>Naomi Shihab Nye</em></p>
<p>Pela primeira vez, na estrada norte de Tampico,<br />
eu senti a vida deslizando para fora de mim,<br />
um tambor no deserto, cada vez mais difícil de ouvir.<br />
Eu tinha sete, deitada no carro, assistindo às palmeiras<br />
trançarem um padrão enjoativo pelo vidro.<br />
Meu estômago, um melão rachado dentro da minha pele.</p>
<p>“Como a gente sabe se já está morrendo?”<br />
supliquei para minha mãe.<br />
Viajávamos havia dias.<br />
Com estranha confiança, ela respondeu:<br />
“Quando a gente não consegue mais fechar o punho.”</p>
<p>Anos depois, eu sorrio ao pensar naquela viagem,<br />
nas fronteiras que temos de cruzar separadamente,<br />
estampadas com nossas aflições irrespondíveis.<br />
Eu, que não morri, que ainda vivo,<br />
ainda deitada no banco de trás das minhas perguntas,<br />
cerrando e abrindo uma pequena mão.</p>
<p>Versão brasileira: <strong>Ivan Justen Santana</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p></CENTER></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Trinta</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2010/06/trinta/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 03:01:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bla]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe plays Lair Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[mimimi]]></category>
		<category><![CDATA[thirty happens]]></category>

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		<description><![CDATA[Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. — Beckett Eu sei que é só uma idade e que não deveria ter nada de especial, mas ao mesmo tempo acho que todo mundo espera algumas etapas: &#8230; <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2010/06/trinta/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><em>Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. — Beckett</em></p>
<p>Eu sei que é só uma idade e que não deveria ter nada de especial, mas ao mesmo tempo acho que todo mundo espera algumas etapas: 18, 21, 30, 50. Eu esperei tanto pelos 21, por exemplo, e quando eles chegaram eu descobri que foi besteira, que a emancipação está sempre depois da curva, que nunca estamos emancipados o suficiente. Acho que desta vez não vai ser diferente. Mas mesmo assim os trinta me incomodam um pouco. Afinal, qual é a nossa expectativa de vida? Setenta anos? Com poluição, stress, ansiedade, violência, fatalismo e drama, acho melhor deixar a minha em sessenta. E se eu estiver chutando certo, cheguei hoje na metade do caminho. Tá, eu não deveria pensar assim. Não tem como prever. Mas a verdade é que trinta anos já foi um bocado de tempo. Tive lá os meus acertos, que até me dão um pouquinho de orgulho. Tive também meus erros, dos quais até não me arrependo. Gosto das coisas como elas foram. A parte chata é que chego aqui tendo que recomeçar. Em alguns pontos, _querendo_ recomeçar. Mas acho que no fim das contas a graça deve ser esta mesmo: tentar e falhar e às vezes conseguir e depois perder e daí tentar de novo e assim por diante até falharmos derradeiramente. A derrota é certa, mas acho que é o caminho até ela que a torna digna de ser encarada. É o que eu espero, pelo menos.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ateísta precoce</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2009/07/ateista-precoce/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 19:35:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bla]]></category>
		<category><![CDATA[Leituras]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Jack Kerouac]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem de noite, quando eu voltava para casa de ônibus e tentava ler mais um capítulo de On the Road, um menino de uns cinco anos de idade não parava de gritar e fazer folia. Acompanhando ele estava uma dessas &#8230; <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2009/07/ateista-precoce/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem de noite, quando eu voltava para casa de ônibus e tentava ler mais um capítulo de <em>On the Road</em>, um menino de uns cinco anos de idade não parava de gritar e fazer folia. Acompanhando ele estava uma dessas mães jovens, de voz mole, anasalada e calma.</p>
<p>Lá pelas tantas, quando o ônibus passava perto da Catedral da Fé, comecei a gostar do menino:</p>
<p><em>- Olha, mãe! É aquele cachorro-quente!</em></p>
<p><em>- É, né bebê? Como você tem memória boa, né? Amanhã a gente come cachorro-quente ali, tá bom?</em></p>
<p><em>- Tá! Mas não é pra ir na igreja!</em></p>
<p><em>- Não, a gente não vai, tá bebê? A mamãe mudou de igreja e agora não vai mais nessa.</em></p>
<p><em>- Não! Não quero ir em nenhuma igreja!!</em></p>
<p><em>- Mas por que bebê? O Papai do Céu fica feliz quando a gente vai na igreja!</em></p>
<p><em>- Não fica! Eu mato ele!</em></p>
<p><em>- Credo, bebê! O Papai do Céu cuida da gente, ele fica feliz quando a gente vai na igreja pra agradecer.</em></p>
<p><em>- Não! Não fica! Eu mato ele!</em></p>
<p><em>- Por que você tá mau assim, bebê? Tadinho do Papai do Céu&#8230;<br />
</em></p>
<p><em>- Ele não acredita em mim!</em></p>
<p><em>- Claro que acredita! Ele cuida de você, bebê.</em></p>
<p><em>- Não! Não acredita!</em></p>
<p>Depois a conversa caiu em banalidades, como a sopa que seria preparada enquanto o menino assistiria desenho animado. Enquanto isso, nas minhas mãos, <em>Dean</em> e <em>Sal</em> estavam roubando carros e tentando descolar uma grana, uma carona e um jantar.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Oi, eu acho que sou um PC</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2009/07/oi-eu-acho-que-sou-um-pc/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 17:40:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bla]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[politicamente correto]]></category>

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		<description><![CDATA[Certa vez, em um evento de divulgação do vegetarianismo, eu fiquei encarregado do sorteio de alguns brindes. Corri até em casa, peguei um saquinho de pano e as peças de um tabuleiro de Go. De volta no auditório, expliquei: neste &#8230; <a href="http://www.felipearruda.com/blog/2009/07/oi-eu-acho-que-sou-um-pc/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Certa vez, em um evento de divulgação do vegetarianismo, eu fiquei encarregado do sorteio de alguns brindes. Corri até em casa, peguei um saquinho de pano e as peças de um tabuleiro de <em>Go</em>. De volta no auditório, expliquei: neste saco tem peças brancas e pretas. As pretas são predominantes. Se você tirar uma peça branca, ganha um brinde.</p>
<p>Tudo corria bem. Alguns ganharam brindes, muitos não ganharam nada. Entre alguns &#8220;que pena!&#8221; e poucos &#8220;oba!&#8221;, um sujeito me interrompe:</p>
<p>- Mas que racismo! Por que a peça preta é a ruim?</p>
<p>É claro que ele não tinha ganhado nada. Fingi que não escutei e prossegui com o sorteio. Depois do evento, o pessoal da organização concordou que aquele cara era meio esquisito. Eu diria paranóico, mas vou adotar esquisito por questões diplomáticas.</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>Quando eu era pequeno um amigo mais velho me mostrou uma edição da revista <em>Casseta Popular</em>. O nome dele era Everton, mas nós o chamávamos de Eto. Através dele conheci também a <em>Chiclete com Banana</em>, o <em>Geraldão</em> e muitas outras revistas e personagens que foram essenciais para a minha formação.</p>
<p>Para quem estava crescendo com a <em>Turma da Mônica</em> e <em>Marvel Comics, </em>aquilo era o paraíso. Nudismo, palavrões, ataques aos costumes familiares, <em>porralouquice</em> das boas. Eu tinha meus 10 ou 11 anos e às vezes interrompia a leitura de Geraldão para constranger o meu pai, perguntando o que significava algumas expressões que os personagens usavam. Normalmente eram metáforas para masturbação, mas meu pai sempre fugia de uma resposta objetiva para isso.</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>Durante o <em>ginásio</em> e o <em>segundo grau</em>, tive contato com muito material considerado politicamente incorreto.A começar pela dupla <em>Beavis &amp; Butthead</em>, que não economizavam em palavrões, violência e atitudes que podem ser consideradas de moral duvidosa. Para mim era um prato cheio, ainda mais que eles passavam o dia no sofá assistindo vídeoclipes de bandas de rock que eu também gostava.</p>
<p>Nesta época tinha também o RPG. Uma categoria de jogos que provavelmente ajudou muito no desenvolvimento da criatividade de muita gente. Invocávamos criaturas, demônios, elementais, descíamos o sarrafo em todo mundo nas partidas de D&amp;D. E claro, ficávamos indignados quando líamos nas revistas especializadas que algumas organizações religiosas e familiares eram contra o jogo e gostariam de proibi-lo.</p>
<p>Outro marco desta minha fase dos 11 aos 18 anos foi o primeiro disco do Planet Hemp. Eu nunca fumei maconha. Nem mesmo ao estilo Bill Clinton, sem tragar. Mas eu adorava aquele disco e aquelas letras e a condição marginalizada que ele tinha. Tocava em todas as festas do pessoal da escola. Junto com este disco também tocavam outros de bandas de punk rock, com letras contra a igreja, contra o consumismo, celebrando a liberdade, xingando políticos. Enfim, contra o sistema, cara!</p>
<p>Eu pirava nessas coisas, para o desespero dos meus pais. E até hoje gosto, só que prefiro letras e idéias mais refinadas.</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>Na empresa onde eu trabalhava, uma vez recebemos uma piada na lista off-topic. Não lembro bem como era, mas falava de uma mãe negra amamentando seu filho com uma banana e do menino erguendo os braços quando ela dizia &#8220;Arrota, filho! Arrota&#8221;, frase foneticamente parecida com &#8220;A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/ROTA">ROTA</a> filho, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/ROTA">ROTA</a>!&#8221;.</p>
<p>Lembro que eu respondi criticando a piada, dizendo que era sem graça e preconceituosa. Hoje eu vejo que até gosto da parte da ROTA, mas o lance da banana ainda me incomoda. Algumas pessoas defenderam a mulher que repassou o e-mail, outras criticaram e então a dicussão morreu, como todas as threads inúteis que acontecem no mundo virtual</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>Agora tá rolando um bafafá com um comediante brasileiro, o Danilo Gentili. Ele comparou o King Kong com jogadores de futebol, que segundo o humorista são <em>macacos que vão para a cidade, ficam famosos e daí querem agarrar uma loira gostosa</em>. Neste contexto, ficou subentendida a comparação de negros com macacos, por causa de vários fatores que eu tenho a maior preguiça de citar agora.</p>
<p>Para resumir, ele está sendo investigado sob a acusação de racismo. Nesta novela toda, destacam-se dois tipos de telespectadores: os que defendem o Gentili e os que acusam ele de preconceito.</p>
<p>Quem acusa, é claro, acusa de racismo. Chamar um negro de macaco sempre foi uma atitude racista. Desde os meus tempos de menino eu sei disso. Na terceira série do primário eu lembro muito bem de um amigo que sempre ficava sem par nas apresentações de danças folclóricas da escola. Misteriosamente, ele era pobre e negro.</p>
<p>Aqueles que defendem Gentili acusam o mundo de onda paranóica e insuportável do pensamento politicamente correto. Se você viu preconceito na piada, o problema é com você, que é politicamente correto (PC) ou então racista mesmo, como o Gentili escreveu em sua própria defesa.</p>
<p>Eu confesso que não achei graça na piada do Gentili. Mas no geral eu não vejo graça nas piadas dele e nem desta leva de humoristas brasileiros que resolveram retomar o<em> stand up comedy</em> com um <em>lag</em> considerável. Tudo bem que estamos acostumados a ter acesso às novidades só depois de muito tempo do lançamento delas em países como os EUA e o Japão, mas não imaginava que este atraso pudesse chegar a tanto.</p>
<p>Também acho que não foi a intenção dele ser preconceituoso. Poucas pessoas teriam culhões para sair publicamente se declarando racista. Mas independente da qualidade questionável do humorista, tem uma coisa que está martelando a minha cabeça: eu tenho a impressão de que o politicamente correto é o novo ser mitológico da galera, uma mistura de bode expiatório com Satã. Algo demoníaco e que justifica o comportamento de muita gente; um encosto!</p>
<p>Mas será que qualquer demonstração de simpatia pelo politicamente correto é mesmo ruim? Digo, normalmente eu não acho graça em piadas sobre gays, gordos e negros, porque a maior parte delas serve para reforçar o <em>status quo</em>. Mas é claro que tem casos que fogem à regra. Eu adoro ver <em>South Park</em>, <em>Monty Python</em> e filmes escrachados e esteriotipados como a <em>A Espaçonave das Loucas</em>, <em>Borat</em> e, em breve, <em>Brüno</em>. E eu não me sinto ofendido quando assisto essas coisas. Mas basta cinco minutos de Zorra Total para eu ver uma forma de humor que poderia ser engraçada no tempo dos meus avós, mas que agora está defasada e pode sim ser considerada preconceituosa (homofóbica, misógina, racista, etc).</p>
<p>Os tempos mudaram, as coisas evoluem. Será que qualquer manifestação em defesa destas mudanças é mesmo ruim? Porque se for, eu sou um PC. Eu apóio a linguagem inclusiva, muito bem apresentada para nós pelas nossas irmãs feministas, como disse o Richard Dawkins na <a href="http://flip.org.br">FLIP</a> deste ano. Eu não gosto de piadas onde negros são comparados com macacos ou gordos com elefantes. Além de não ver graça, eu realmente não gosto. Acho que o humor pode ser feito de forma bem mais inteligente, como nossos amigos norte-americanos fazem muito bem e por isso dominam a indústria do entretenimento. Aliás, diga-se de passagem que Gentili não se safaria de uma tremenda confusão com uma piada destas nos EUA.</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>O que eu queria mesmo, era perguntar:</p>
<ul>
<li>Por que é ruim criticar uma piada de mau gosto?</li>
<li>Por que é ruim mudar nossa forma de nos expressar em relação aos nossos semelhantes?</li>
<li>Por que a culpa é do politicamente correto e não do Gentili?</li>
<li>Existem piadas preconceituosas? Ou é tudo uma conspiração do povo politicamente correto?</li>
<li>Qual é a linha que separa o humor politicamente incorreto do humor preconceituoso?</li>
<li>Por que pessoas como eu não se ofendem com Robert Crumb e South Park, mas se ofendem com Zorra Total?</li>
<li>Se tudo é culpa do politicamente correto, então vale qualquer coisa?</li>
</ul>
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