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	<title>Felipe Arruda &#187; Bla</title>
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	<description>Astronomia, literatura, viagens e outros hobbies e interesses</description>
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		<title>Fechando o punho</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 01:36:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Ivan traduziu um dos poemas que mais me tocou nos últimos meses: Making a Fist, de Naomi Shihab Nye. O original e a tradução estão logo abaixo, mas recomendo uma visita ao blog do Ivan. Aliás, lá também tem a tradução de um outro poema da Naomi, Cartas que o meu &#8220;presi&#8221; não vai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><P>O <a href="http://ossurtado.blogspot.com/">Ivan</a> traduziu um dos poemas que mais me tocou nos últimos meses: Making a Fist, de <a href="http://www.poets.org/poet.php/prmPID/174">Naomi Shihab Nye</a>. O original e a <a href="http://ossurtado.blogspot.com/2010/07/abrindo-mao-um-amigo.html">tradução</a> estão logo abaixo, mas recomendo uma visita ao blog do Ivan. Aliás, lá também tem a tradução de um outro poema da Naomi, <a href="http://ossurtado.blogspot.com/2010/07/mais-um-da-naomi.html">Cartas que o meu &#8220;presi&#8221; não vai enviar</a>.</p>
<p><CENTER><br />
<table border="0">
<tbody>
<tr valign="top">
<td>
<strong>Making a Fist</strong><br />
<em>by Naomi Shihab Nye</em></p>
<p>For the first time, on the road north of Tampico,<br />
I felt the life sliding out of me,<br />
a drum in the desert, harder and harder to hear.<br />
I was seven, I lay in the car<br />
watching palm trees swirl a sickening pattern past the glass.<br />
My stomach was a melon split wide inside my skin.</p>
<p>&#8220;How do you know if you are going to die?&#8221;<br />
I begged my mother.<br />
We had been traveling for days.<br />
With strange confidence she answered,<br />
&#8220;When you can no longer make a fist.&#8221;</p>
<p>Years later I smile to think of that journey,<br />
the borders we must cross separately,<br />
stamped with our unanswerable woes.<br />
I who did not die, who am still living,<br />
still lying in the backseat behind all my questions,<br />
clenching and opening one small hand.</td>
<td>
<strong>Fechando o Punho</strong><br />
<em>Naomi Shihab Nye</em></p>
<p>Pela primeira vez, na estrada norte de Tampico,<br />
eu senti a vida deslizando para fora de mim,<br />
um tambor no deserto, cada vez mais difícil de ouvir.<br />
Eu tinha sete, deitada no carro, assistindo às palmeiras<br />
trançarem um padrão enjoativo pelo vidro.<br />
Meu estômago, um melão rachado dentro da minha pele.</p>
<p>“Como a gente sabe se já está morrendo?”<br />
supliquei para minha mãe.<br />
Viajávamos havia dias.<br />
Com estranha confiança, ela respondeu:<br />
“Quando a gente não consegue mais fechar o punho.”</p>
<p>Anos depois, eu sorrio ao pensar naquela viagem,<br />
nas fronteiras que temos de cruzar separadamente,<br />
estampadas com nossas aflições irrespondíveis.<br />
Eu, que não morri, que ainda vivo,<br />
ainda deitada no banco de trás das minhas perguntas,<br />
cerrando e abrindo uma pequena mão.</p>
<p>Versão brasileira: <strong>Ivan Justen Santana</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p></CENTER></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Trinta</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 03:01:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Felipe plays Lair Ribeiro]]></category>
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		<description><![CDATA[Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. — Beckett
Eu sei que é só uma idade e que não deveria ter nada de especial, mas ao mesmo tempo acho que todo mundo espera algumas etapas: 18, 21, 30, 50. Eu esperei tanto pelos 21, por exemplo, e quando eles chegaram eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><em>Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. — Beckett</em></p>
<p>Eu sei que é só uma idade e que não deveria ter nada de especial, mas ao mesmo tempo acho que todo mundo espera algumas etapas: 18, 21, 30, 50. Eu esperei tanto pelos 21, por exemplo, e quando eles chegaram eu descobri que foi besteira, que a emancipação está sempre depois da curva, que nunca estamos emancipados o suficiente. Acho que desta vez não vai ser diferente. Mas mesmo assim os trinta me incomodam um pouco. Afinal, qual é a nossa expectativa de vida? Setenta anos? Com poluição, stress, ansiedade, violência, fatalismo e drama, acho melhor deixar a minha em sessenta. E se eu estiver chutando certo, cheguei hoje na metade do caminho. Tá, eu não deveria pensar assim. Não tem como prever. Mas a verdade é que trinta anos já foi um bocado de tempo. Tive lá os meus acertos, que até me dão um pouquinho de orgulho. Tive também meus erros, dos quais até não me arrependo. Gosto das coisas como elas foram. A parte chata é que chego aqui tendo que recomeçar. Em alguns pontos, _querendo_ recomeçar. Mas acho que no fim das contas a graça deve ser esta mesmo: tentar e falhar e às vezes conseguir e depois perder e daí tentar de novo e assim por diante até falharmos derradeiramente. A derrota é certa, mas acho que é o caminho até ela que a torna digna de ser encarada. É o que eu espero, pelo menos.</p>
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		<title>Ateísta precoce</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 19:35:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bla]]></category>
		<category><![CDATA[Leituras]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem de noite, quando eu voltava para casa de ônibus e tentava ler mais um capítulo de On the Road, um menino de uns cinco anos de idade não parava de gritar e fazer folia. Acompanhando ele estava uma dessas mães jovens, de voz mole, anasalada e calma.
Lá pelas tantas, quando o ônibus passava perto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem de noite, quando eu voltava para casa de ônibus e tentava ler mais um capítulo de <em>On the Road</em>, um menino de uns cinco anos de idade não parava de gritar e fazer folia. Acompanhando ele estava uma dessas mães jovens, de voz mole, anasalada e calma.</p>
<p>Lá pelas tantas, quando o ônibus passava perto da Catedral da Fé, comecei a gostar do menino:</p>
<p><em>- Olha, mãe! É aquele cachorro-quente!</em></p>
<p><em>- É, né bebê? Como você tem memória boa, né? Amanhã a gente come cachorro-quente ali, tá bom?</em></p>
<p><em>- Tá! Mas não é pra ir na igreja!</em></p>
<p><em>- Não, a gente não vai, tá bebê? A mamãe mudou de igreja e agora não vai mais nessa.</em></p>
<p><em>- Não! Não quero ir em nenhuma igreja!!</em></p>
<p><em>- Mas por que bebê? O Papai do Céu fica feliz quando a gente vai na igreja!</em></p>
<p><em>- Não fica! Eu mato ele!</em></p>
<p><em>- Credo, bebê! O Papai do Céu cuida da gente, ele fica feliz quando a gente vai na igreja pra agradecer.</em></p>
<p><em>- Não! Não fica! Eu mato ele!</em></p>
<p><em>- Por que você tá mau assim, bebê? Tadinho do Papai do Céu&#8230;<br />
</em></p>
<p><em>- Ele não acredita em mim!</em></p>
<p><em>- Claro que acredita! Ele cuida de você, bebê.</em></p>
<p><em>- Não! Não acredita!</em></p>
<p>Depois a conversa caiu em banalidades, como a sopa que seria preparada enquanto o menino assistiria desenho animado. Enquanto isso, nas minhas mãos, <em>Dean</em> e <em>Sal</em> estavam roubando carros e tentando descolar uma grana, uma carona e um jantar.</p>
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		<title>Oi, eu acho que sou um PC</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2009/07/oi-eu-acho-que-sou-um-pc/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 17:40:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bla]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Certa vez, em um evento de divulgação do vegetarianismo, eu fiquei encarregado do sorteio de alguns brindes. Corri até em casa, peguei um saquinho de pano e as peças de um tabuleiro de Go. De volta no auditório, expliquei: neste saco tem peças brancas e pretas. As pretas são predominantes. Se você tirar uma peça [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Certa vez, em um evento de divulgação do vegetarianismo, eu fiquei encarregado do sorteio de alguns brindes. Corri até em casa, peguei um saquinho de pano e as peças de um tabuleiro de <em>Go</em>. De volta no auditório, expliquei: neste saco tem peças brancas e pretas. As pretas são predominantes. Se você tirar uma peça branca, ganha um brinde.</p>
<p>Tudo corria bem. Alguns ganharam brindes, muitos não ganharam nada. Entre alguns &#8220;que pena!&#8221; e poucos &#8220;oba!&#8221;, um sujeito me interrompe:</p>
<p>- Mas que racismo! Por que a peça preta é a ruim?</p>
<p>É claro que ele não tinha ganhado nada. Fingi que não escutei e prossegui com o sorteio. Depois do evento, o pessoal da organização concordou que aquele cara era meio esquisito. Eu diria paranóico, mas vou adotar esquisito por questões diplomáticas.</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>Quando eu era pequeno um amigo mais velho me mostrou uma edição da revista <em>Casseta Popular</em>. O nome dele era Everton, mas nós o chamávamos de Eto. Através dele conheci também a <em>Chiclete com Banana</em>, o <em>Geraldão</em> e muitas outras revistas e personagens que foram essenciais para a minha formação.</p>
<p>Para quem estava crescendo com a <em>Turma da Mônica</em> e <em>Marvel Comics, </em>aquilo era o paraíso. Nudismo, palavrões, ataques aos costumes familiares, <em>porralouquice</em> das boas. Eu tinha meus 10 ou 11 anos e às vezes interrompia a leitura de Geraldão para constranger o meu pai, perguntando o que significava algumas expressões que os personagens usavam. Normalmente eram metáforas para masturbação, mas meu pai sempre fugia de uma resposta objetiva para isso.</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>Durante o <em>ginásio</em> e o <em>segundo grau</em>, tive contato com muito material considerado politicamente incorreto.A começar pela dupla <em>Beavis &amp; Butthead</em>, que não economizavam em palavrões, violência e atitudes que podem ser consideradas de moral duvidosa. Para mim era um prato cheio, ainda mais que eles passavam o dia no sofá assistindo vídeoclipes de bandas de rock que eu também gostava.</p>
<p>Nesta época tinha também o RPG. Uma categoria de jogos que provavelmente ajudou muito no desenvolvimento da criatividade de muita gente. Invocávamos criaturas, demônios, elementais, descíamos o sarrafo em todo mundo nas partidas de D&amp;D. E claro, ficávamos indignados quando líamos nas revistas especializadas que algumas organizações religiosas e familiares eram contra o jogo e gostariam de proibi-lo.</p>
<p>Outro marco desta minha fase dos 11 aos 18 anos foi o primeiro disco do Planet Hemp. Eu nunca fumei maconha. Nem mesmo ao estilo Bill Clinton, sem tragar. Mas eu adorava aquele disco e aquelas letras e a condição marginalizada que ele tinha. Tocava em todas as festas do pessoal da escola. Junto com este disco também tocavam outros de bandas de punk rock, com letras contra a igreja, contra o consumismo, celebrando a liberdade, xingando políticos. Enfim, contra o sistema, cara!</p>
<p>Eu pirava nessas coisas, para o desespero dos meus pais. E até hoje gosto, só que prefiro letras e idéias mais refinadas.</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>Na empresa onde eu trabalhava, uma vez recebemos uma piada na lista off-topic. Não lembro bem como era, mas falava de uma mãe negra amamentando seu filho com uma banana e do menino erguendo os braços quando ela dizia &#8220;Arrota, filho! Arrota&#8221;, frase foneticamente parecida com &#8220;A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/ROTA">ROTA</a> filho, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/ROTA">ROTA</a>!&#8221;.</p>
<p>Lembro que eu respondi criticando a piada, dizendo que era sem graça e preconceituosa. Hoje eu vejo que até gosto da parte da ROTA, mas o lance da banana ainda me incomoda. Algumas pessoas defenderam a mulher que repassou o e-mail, outras criticaram e então a dicussão morreu, como todas as threads inúteis que acontecem no mundo virtual</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>Agora tá rolando um bafafá com um comediante brasileiro, o Danilo Gentili. Ele comparou o King Kong com jogadores de futebol, que segundo o humorista são <em>macacos que vão para a cidade, ficam famosos e daí querem agarrar uma loira gostosa</em>. Neste contexto, ficou subentendida a comparação de negros com macacos, por causa de vários fatores que eu tenho a maior preguiça de citar agora.</p>
<p>Para resumir, ele está sendo investigado sob a acusação de racismo. Nesta novela toda, destacam-se dois tipos de telespectadores: os que defendem o Gentili e os que acusam ele de preconceito.</p>
<p>Quem acusa, é claro, acusa de racismo. Chamar um negro de macaco sempre foi uma atitude racista. Desde os meus tempos de menino eu sei disso. Na terceira série do primário eu lembro muito bem de um amigo que sempre ficava sem par nas apresentações de danças folclóricas da escola. Misteriosamente, ele era pobre e negro.</p>
<p>Aqueles que defendem Gentili acusam o mundo de onda paranóica e insuportável do pensamento politicamente correto. Se você viu preconceito na piada, o problema é com você, que é politicamente correto (PC) ou então racista mesmo, como o Gentili escreveu em sua própria defesa.</p>
<p>Eu confesso que não achei graça na piada do Gentili. Mas no geral eu não vejo graça nas piadas dele e nem desta leva de humoristas brasileiros que resolveram retomar o<em> stand up comedy</em> com um <em>lag</em> considerável. Tudo bem que estamos acostumados a ter acesso às novidades só depois de muito tempo do lançamento delas em países como os EUA e o Japão, mas não imaginava que este atraso pudesse chegar a tanto.</p>
<p>Também acho que não foi a intenção dele ser preconceituoso. Poucas pessoas teriam culhões para sair publicamente se declarando racista. Mas independente da qualidade questionável do humorista, tem uma coisa que está martelando a minha cabeça: eu tenho a impressão de que o politicamente correto é o novo ser mitológico da galera, uma mistura de bode expiatório com Satã. Algo demoníaco e que justifica o comportamento de muita gente; um encosto!</p>
<p>Mas será que qualquer demonstração de simpatia pelo politicamente correto é mesmo ruim? Digo, normalmente eu não acho graça em piadas sobre gays, gordos e negros, porque a maior parte delas serve para reforçar o <em>status quo</em>. Mas é claro que tem casos que fogem à regra. Eu adoro ver <em>South Park</em>, <em>Monty Python</em> e filmes escrachados e esteriotipados como a <em>A Espaçonave das Loucas</em>, <em>Borat</em> e, em breve, <em>Brüno</em>. E eu não me sinto ofendido quando assisto essas coisas. Mas basta cinco minutos de Zorra Total para eu ver uma forma de humor que poderia ser engraçada no tempo dos meus avós, mas que agora está defasada e pode sim ser considerada preconceituosa (homofóbica, misógina, racista, etc).</p>
<p>Os tempos mudaram, as coisas evoluem. Será que qualquer manifestação em defesa destas mudanças é mesmo ruim? Porque se for, eu sou um PC. Eu apóio a linguagem inclusiva, muito bem apresentada para nós pelas nossas irmãs feministas, como disse o Richard Dawkins na <a href="http://flip.org.br">FLIP</a> deste ano. Eu não gosto de piadas onde negros são comparados com macacos ou gordos com elefantes. Além de não ver graça, eu realmente não gosto. Acho que o humor pode ser feito de forma bem mais inteligente, como nossos amigos norte-americanos fazem muito bem e por isso dominam a indústria do entretenimento. Aliás, diga-se de passagem que Gentili não se safaria de uma tremenda confusão com uma piada destas nos EUA.</p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p>O que eu queria mesmo, era perguntar:</p>
<ul>
<li>Por que é ruim criticar uma piada de mau gosto?</li>
<li>Por que é ruim mudar nossa forma de nos expressar em relação aos nossos semelhantes?</li>
<li>Por que a culpa é do politicamente correto e não do Gentili?</li>
<li>Existem piadas preconceituosas? Ou é tudo uma conspiração do povo politicamente correto?</li>
<li>Qual é a linha que separa o humor politicamente incorreto do humor preconceituoso?</li>
<li>Por que pessoas como eu não se ofendem com Robert Crumb e South Park, mas se ofendem com Zorra Total?</li>
<li>Se tudo é culpa do politicamente correto, então vale qualquer coisa?</li>
</ul>
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		<title>DIY: Óculos 3-D</title>
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		<pubDate>Wed, 27 May 2009 04:35:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esses dias encasquetei que queria ter um par de óculos 3-D, daqueles antigos e que parecem ter saído de um clip do Devo. Fui atrás de folhas de acetato translúcidas nas cores vermelho e ciano, mas não encontrei. Comprei papel celofane azul e vermelho, mas o resultado foi péssimo: a tinta usada para colorir o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esses dias encasquetei que queria ter um par de óculos 3-D, daqueles antigos e que parecem ter saído de um clip do Devo. Fui atrás de folhas de acetato translúcidas nas cores vermelho e ciano, mas não encontrei. Comprei papel celofane azul e vermelho, mas o resultado foi péssimo: a tinta usada para colorir o celofane prejudicava a nitidez da imagem.</p>
<p>Hoje, na sala de trabalho, encontro duas caixinhas de Tic Tac em cima do meu teclado: uma vermelha e uma azul. Era um desses insights do <a href="http://helllabs.org/blog/">Claudio</a> que sempre dão certo. Na hora já carregamos uma imagem <a href="http://www.geocities.com/prof_lunazzi/Estereoscopia/estere.htm">anaglífica</a> no Flickr, seguramos as caixinhas na frente dos nossos olhos e comprovamos que realmente funcionava.</p>
<p><center><div id="attachment_361" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/05/embalagens.jpg"><img src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/05/embalagens-300x216.jpg" alt="Lixo não, lentes!" title="Lixo não, lentes!" width="300" height="216" class="size-medium wp-image-361" /></a><p class="wp-caption-text">Lixo não, lentes!</p></div></center></p>
<p>Sendo assim, aqui está um modelo caseiro de óculos 3-D, feito com cartolina e embalagens vazias de Tic Tac nos sabores Extra Forte e Cereja Extra Mint. O tom das <em>lentes</em> não é exatamente igual ao utilizado nos óculos comercializados (você encontra no Mercado Livre 4 unidades por R$10 + frete), mas é próximo o suficiente para causar a sensação de profundidade das imagens 3-D:</p>
<p><center><div id="attachment_362" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/05/oculos.jpg"><img src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/05/oculos-300x159.jpg" alt="Claro que o seu ficará mais bonito!" title="Claro que o seu ficará mais bonito!" width="300" height="159" class="size-medium wp-image-362" /></a><p class="wp-caption-text">Claro que o seu ficará mais bonito!</p></div></center></p>
<p>Depois de construir o seu, é só fazer algumas buscas na internet (<em>anaglyph</em>, <em>3d</em>, etc.) e brincar com o conteúdo disponível. Eu recomendo a visualização deste <a href="http://www.vimeo.com/958935">vídeo</a> e desta <a href="http://www.flickr.com/photos/15693951@N00/2183878070/">foto</a>. Importante: lembre-se de posicionar a <em>lente</em> azul para o olho direito. </p>
<p>As embalagens vazias usadas para este modelo foram gentilmente cedidas pelo Claudio e pelo Santiago que, sabe-se lá por qual motivo, não jogam fora depois de comerem todas as balinhas.</p>
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		<title>Monday air!</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2008/09/monday-air/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Sep 2008 12:49:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Acordei ranheta e preciso reclamar.

Livreiros e donos de sebos: parem de usar etiquetas adesivas para marcar o preço dos livros. Parafraseando o  Borat, it&#8217;s a pain in my asshole.É quase impossível remover uma etiqueta colada há muito tempo sem danificar a capa do livro ou da revista. Ah, e se puderem encontrar uma alternativa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-64" title="Ar de segunda-feira" src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/garfield_monday.jpg" alt="" width="546" height="160" /></p>
<p>Acordei ranheta e preciso reclamar.</p>
<ol>
<li>Livreiros e donos de sebos: parem de usar etiquetas adesivas para marcar o preço dos livros. Parafraseando o  <a href="http://www.imdb.com/title/tt0443453/">Borat</a>, <em>it&#8217;s a pain in my asshole</em>.É quase impossível remover uma etiqueta colada há muito tempo sem danificar a capa do livro ou da revista. Ah, e se puderem encontrar uma alternativa aos carimbos com símbolos zodiacais, eu também agradeço.</li>
<li>Lembra daqueles velhinhos que saíam pelas ruas ouvindo música ou futebol nos seus radinhos de pilha? Pois bem, Curitiba ganhou uma releitura desta classe: jovens com celulares bonitos e modernos ouvindo músicas dentro do ônibus, sem fones de ouvido. O problema até que não chega a ser as canções de qualidade questionável, mas a potência e a qualidade do alto-falante que simplesmente não ajudam.<br />
<BR>Jovens, eu não sei se vocês já perceberam, mas qualquer canção fica completamente distorcida a um certo volume. Se vocês querem tirar a apatia das ruas e dos coletivos com um pouco de música (<em>you gotta fight for your right to party!</em>), acho que vocês conseguirão um pouco de inspiração assistindo <a href="http://www.mundonegro.com.br/noticias/index.php?noticiaID=67">Faça a Coisa Certa</a>.</li>
</ol>
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		<title>Nota de apoio aos tabagistas</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 01:35:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois da Lei Seca, o Brasil tem uma nova polêmica envolvendo hábitos, vícios e legislação. O projeto de lei proposto pelo governador José Serra, que visa proibir o fumo em ambientes fechados, tem gerado boas discussões por todo o país. Até o presidente da nossa república, Luís Inácio &#8220;Lula&#8221; da Silva, já tomou uma posição.

Pois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u415818.shtml">Lei Seca</a>, o Brasil tem uma nova polêmica envolvendo hábitos, vícios e legislação. O <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u439032.shtml">projeto de lei</a> proposto pelo governador José Serra, que visa proibir o fumo em ambientes fechados, tem gerado boas discussões por todo o país. Até o presidente da nossa república, Luís Inácio &#8220;Lula&#8221; da Silva, já tomou uma <a href="http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/09/04/e04099559.html">posição</a>.</p>
<p><center><div id="attachment_34" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-34 " title="Flores do Tabaco" src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/652px-nicotiana_obtusifolia_flower-300x275.jpg" alt="Nicotiana obtusifolia" width="300" height="275" /><p class="wp-caption-text">Nicotiana obtusifolia</p></div></center></p>
<p>Pois bem, ao contrário do presidente, eu apóio o projeto de lei. E ao contrário de muitos que apóiam o projeto de lei, eu não acho o fim do mundo ver as pessoas fumando. Apesar de eu não fumar, não comer carne e ter cara de nerd, eu também sou bastante descolado, moderninho e <em>prafrentex</em>.</p>
<p>Além disso, muitos países hoje já possuem este tipo de lei. Em uma era globalizada, onde as viagens internacionais são tão acessíveis, vale a pena aprender alguns truques para que você possa manter o hábito em dia, mesmo sob as mais diversas dificuldades. </p>
<p>Por isso resolvi escrever este post para você, amigo(a) tabagista que pode acabar sendo afetado(a) por este projeto de lei.</p>
<p>Sendo assim:</p>
<p style="text-align: center; "><strong>Dicas para o Consumo de Tabaco</strong></p>
<p style="text-align: center; ">ou</p>
<p style="text-align: center; "><strong>Como Não Ficar Deprimido em Pubs Arejados</strong></p>
<p style="text-align: center; ">ou</p>
<p style="text-align: center; "><strong>Tabagismo: Superando Desafios</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Sociabilidade:</strong> Pior que um fumante incômodo, só mesmo um fumante emburrado e mal-humorado por não poder fumar. Quando a lei entrar em vigor (se entrar), não deixe de sair com seus amigos só porque você não vai mais poder fumar um cigarrinho dentro de bares e restaurantes. Saia, converse, divirta-se e, se der vontade de fumar, peça licença e vá até a rua.</p>
<p style="text-align: left;">Fume em frente ao bar/restaurante e, quando terminar, volte. Esta também pode ser uma situação agradável para você conhecer melhor aquele funcionário que sempre te recebe na porta do bar ou o flanelinha que cuida tão bem do carro dos clientes.</p>
<p style="text-align: left;">Além disso, é muito provável que você encontre outros fumantes na mesma situação que você. Vocês poderão conversar e criar laços de amizade. Já pensou nisso? Você ter um grupo de amigos onde todos são fumantes? Vocês podem entrar no bar, beber uma cervejinha e, na hora de fumar, saírem todos juntos para o culto ao tabaco. Depois de fumar, voltarão todos juntos para o bar. Não será preciso nem mesmo interromper a conversa!</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Diversidade:</strong> Da mesma forma que você troca a marca do cigarro quando o seu preferido está em falta, você pode diversificar a forma de consumir tabaco. Charutos, cachimbos, cigarrilhas, fumo de corda. São inúmeras opções, repletas de diferentes <em>blends</em> e sabores para satisfazer o seu vício. Porém, 90% das maneiras disponíveis para o consumo do tabaco possuem algo em comum, a grande causadora de brigas e intrigas entre os fumantes e os não-fumantes: a famigerada fumaça!</p>
<p style="text-align: left;">A fumaça não só atrapalha e enche o saco, ela também faz mal e causa danos à saúde daqueles que não fumam e que estão perto de você, além de infestar o ambiente e as pessoas com o característico odor dos produtos tabagistas. A dica para contornar esta situação é usar o famoso <em>dipping tobacco</em>, muito popular no cinema americano, principalmente em filmes com jogadores de baseball, cowboys e outros durões.</p>
<p style="text-align: left;">Claro que a praticidade de satisfazer o seu vício e não incomodar tem um preço. A forma como o tabaco fica dentro da boca pode causar uma penalidade nos seus pontos de beleza. Além disso, este produto causa uma salivação excessiva e, por isso, você sentirá a necessidade de cuspir com frequência, o que causa uma penalidade nos seus pontos de carisma.</p>
<p><center><div id="attachment_35" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-35 " title="Dipping Tobacco" src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/dip_in_mouth-300x222.jpg" alt="Dipping Tobacco" width="300" height="222" /><p class="wp-caption-text">Dipping Tobacco</p></div></center></p>
<p><strong>Jogo de cintura:</strong> Você é o único fumante da sua família? Mal pode acender um cigarro que as reclamações já começam? Eu imagino que essas situações sejam muito aborrecedoras, mas infelizmente eu não poderei ajudar muito aqui. O meu principal conselho é que você fume na janela ou fora de casa.</p>
<p style="text-align: left;">Se estiver sozinho em casa, aproveite e fume bastante. Mas não esqueça dos mandamentos básicos para a convivência feliz com não-fumantes:</p>
<ul>
<li>O estado do cinzeiro reflete a alma do fumante. Um cinzeiro sujo indica um fumante desleixado. Portanto, deixe o cinzeiro da sua casa sempre limpo. Isto evitará aborrecimentos com a sua família.</li>
<li>Mesmo que a sua família permita que você fume em casa, dois cômodos devem ser sagrados: o banheiro e a cozinha. Nada de fumar no banheiro. Você estará infestando o recinto com o cheiro do seu cigarro e o próximo a usá-lo sofrerá bastante com isso. Para passar o tempo lá dentro, leve uma revista.</li>
<li> O mesmo vale para a cozinha. Não fume na cozinha. Tabagismo e o preparo de alimentos não combinam. Além do mais, uma pessoa com um paladar tão requintado como você não vai querer alterar o sabor dos alimentos ou do seu cigarro com odores tão distintos, não é mesmo?</li>
</ul>
<ul>
<li>Use desodorizadores de ambiente. Existem muitos produtos disponíveis para amenizar o cheiro de tabaco dentro de casa. Procure no mercado ou na tabacaria mais próxima.</li>
</ul>
<p style="text-align: left;"><strong>Cantadas:</strong> Eu posso imaginar quantas vezes você não passou a noite em boa companhia, tudo por causa de uma conversa que começou com um singelo &#8220;tem brasa?&#8221;. Bom, você ainda pode usar este artifício para se aproximar de pessoas desconhecidas, mas como você sabe, em breve esta cantada poderá ficar restrita aos ambientes abertos.</p>
<p style="text-align: left;">Mas não se desespere, tenho certeza que a sua criatividade não lhe deixará na mão. E se tiver dificuldade, procure na internet. Se duvidar tem até comunidade no Orkut sobre as cantadas mais eficazes.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Consumo consciente:</strong> Caso você faça parte daqueles consumidores que não gostam de colaborar com empresas mau-caráter, você está em maus lençóis. A indústria tabagista é mestre em trapaças. Ela consegue vender produtos que causam um mal danado como se fosse algo fantástico e indispensável para a vida de galãs e <em>femmes fatales</em>.</p>
<p style="text-align: left;">Também são famosas as fotos de testes em animais financiados pela indústria tabagista e houve um período em que estas empresas financiavam esportes (lembra do <a href="http://www.funof1.com.ar/im/pa198803012_maxiB.jpg">Senna</a>?) e filmes, tudo com o objetivo de vender cada vez mais.</p>
<p style="text-align: left;">Boicotar a indústria tabagista seria a solução. Mas como eu disse, eu não estou aqui para te desestimular. Um consumo consciente de tabaco é um pouco difícil, mas não impossível.</p>
<p style="text-align: left;">Lembra dos cigarros de palha que o seu avô fazia? Pois bem, hoje eles estão um pouco mais modernos. Um casal de amigos que voltou recentemente da europa me contou que em Londres é muito comum os jovens comprarem um kit com papel, fumo e filtro e montar o próprio cigarro. É mais barato e menos nocivo.</p>
<p style="text-align: left;">Mas se você quiser mesmo ficar livre de empresas grandes e famosas e maléficas, não tem outra saída: compre fumo de corda, papel para cigarro e parta para os velhos &#8220;palheiros&#8221; do vovô.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
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		<title>Finalmente!</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 17:45:25 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depois de uma grande novela, tenho casa novamente.
Ainda não sei o que fazer com o conteúdo antigo do blog. O Boto me enviou um dump com todos os meus posts, mas ainda não sei o que farei. Muitos posts não valem a pena ser recuperados e os que valem precisam de alguns ajustes (imagens e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de uma grande <a href="http://felipearruda.wordpress.com">novela</a>, tenho <a href="http://dreamhost.com">casa</a> novamente.</p>
<p>Ainda não sei o que fazer com o conteúdo antigo do blog. O <a href="http://raisama.net/diary">Boto</a> me enviou um dump com todos os meus posts, mas ainda não sei o que farei. Muitos posts não valem a pena ser recuperados e os que valem precisam de alguns ajustes (imagens e links quebrados, por exemplo).</p>
<p>De qualquer forma, estou de volta!</p>
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