Archive for the ‘Geek’ Category
Stargazing!
Lista dos objetos que eu lembro de ter visto na minha primeira saída de campo com o grupo de Nevoeiro (lista, blog):
- Pequena Nuvem de Magalhães
- Grande Nuvem de Magalhães
- Andrômeda
- Nebulosa do Caranguejo
- Nebulosa de Órion
- Omega Centauri
- Saco de Carvão
- Caixa de Jóias
- Aglomerado do Presépio
- Via Láctea
- Saturno (com seus anéis alinhados com a Terra)
- Vênus (em uma de suas fases)
- Plêiades
- Eta Carinae
Além disso pudemos ver a passagem de vários satélites artificiais e meteoros que cruzaram das 3:00h até o amanhecer. Foi a primeira vez que vi boa parte destes objetos e fiquei impressionado com a beleza de Eta Carinae e com a grandiosidade das Nuvens de Magalhães.
Foi uma aula e tanto e desde que voltei estou folheando e lendo um livro de astronomia. Sem falar que o cheiro de bosta de vaca limpa o pulmão de qualquer piá de prédio como eu.
Contra uma Linguagem Sexista
Há alguns anos, quando eu participava de um coletivo de jornalismo independente, tínhamos a preocupação de usar, sempre que possível, uma linguagem inclusiva: ao escrever um texto nós evitávamos escrever para pessoas de um determinado gênero. Assumíamos que nossos leitores poderiam ser de qualquer gênero (feminino ou masculino) e, por isso, não poderíamos excluir ou privilegiar um determinado gênero.
Anos depois, já afastado do coletivo (por vontade própria e por falta de tempo), eu tropeço no mesmo assunto. Só que desta vez foi no terceiro capítulo de Read Me First!, um livro sobre escrita técnica editado pela Sun Technical Publications.
A seção, intitulada Avoid Sexist Language, traz a seguinte dica:
In many cultures, language has developed so that “men” often refers to “men and women”, and “he”, “him” and “his” are regarded as gender-neutral words. In decades past, this sentence might have been perfectly acceptable:
Ask your system administrator for his advice.
Today, this usage of “he” and “his” is far less acceptable. These pronouns assume too much about the gender of an individual. Writers who defend the use of such pronouns must contemplate the following: Many readers could interpret a writer’s intentions negatively and could consciously or subconsciously reject the work.
Mas nem sempre é fácil. No coletivo usávamos uma grafia bem menos formal para escrever um texto. Era comum trocar a vogal que definia o gênero de um nome por um símbolo como @ ou underline, deixando a interpretação do gênero para quem estava lendo o artigo. Assim, em vez de escrever garoto (ou garota), escrevíamos garot@, garot_, garotx, etc.
Deixando de lado toda a discussão sobre a estética de um texto onde algumas letras são substituídas por símbolos de arroba, posso dizer que esta forma servia bem para os propósitos dos textos, que eram vinculados na internet e sem nenhum compromisso corporativo ou acadêmico.
Na mesma época eu já trabalhava na Revista do Linux (R.I.P.) e fazia o possível para evitar direcionar um artigo a “um administrador de sistemas”, “um programador” ou “um usuário”.
Infelizmente, nossa língua é bastante dependente de gênero e, mesmo quando eu tentava generalizar, acabava optando pelo gênero masculino: “administradores”, “usuários”, “programadores”.
No português brasileiro, por convenção, usamos o plural masculino como uma forma “neutra”. Mas eu fico sempre na dúvida sobre esta neutralidade. Eu ainda não sei, e também não sei se alguém sabe (urgh!), como esta regra foi definida. Porque se foi definida “socialmente”, pode ser que tenha sido definida com base em valores antigos, em uma época onde só o homem ocupava determinadas posições na sociedade.
Por outro lado, eu detesto ter que repetir alguns substantivos nos dois gêneros (”os usuários e as usuárias”, por exemplo) e acho a forma “usuários(as)” tão feia quanto “usuári@s”.
Para ter uma idéia do que estou falando, no inglês eu resolveria o exemplo do livro apenas removendo o adjetivo possessivo (Ask your system administrator for his advice). Já esta mesma frase, em português, daria mais trabalho para ser “consertada”. Eu provavelmente acabaria cedendo ao gênero masculino e faria alguma administradora de sistema bufar de raiva ou cansaço.
Enfim, eu não sou lingüista e nem estudo Letras, então não sei o quanto disso é besteira e, em caso negativo, o quanto é solucionável. Para mim, a preocupação parece pertinente. Principalmente a dica de não tentar assumir mais do que devemos sobre as pessoas que vão ler os nossos textos.
II Fórum de Tecnologia em Software Livre
Esta é para aqueles que sentem falta de eventos de Software Livre em Curitiba: acontecerá de 10 a 12 de novembro o II Fórum de Tecnologia em Software Livre. Além de várias palestras a programação também inclui mini-cursos sobre Blender, Inkscape, Shell Script (ministrado pelo Julio Neves), PostgreSQL e outros assuntos.
Nanquim eletrônico

Esquire #75 - Capa com E Ink
Para comemorar os 75 anos de publicação, a revista Esquire publicou uma edição especial com uma capa feita com o papel eletrônico da E Ink. No site da revista é possível encontrar mais detalhes sobre o processo de confecção das capas e perceber o quão trabalhoso foi tudo.
Para ter uma idéia, o display das capas foram montados na China e, cada capa, finalizada manualmente no México. Para piorar a situação, as baterias que fazem o display funcionar duram cerca de 90 dias e, por isso, parte do transporte das capas foi feito em caminhões refrigerados, para que a baixa temperatura ajudasse a preservar a vida das baterias.
Apesar de bonita, a idéia não foi muito bem aproveitada e gerou um pouco de decepção nos leitores e geeks de plantão. O vídeo a seguir mostra a capa da edição #75 piscando e o anúncio da Ford (que também pisca):
O Boing-Boing, a Wired e a Make Magazine (warning: geek pr0n) não perderam tempo para reportar a frustração com o pisca-pisca hi-tech. Alguns leitores até compararam a capa com um relógio digital.
De qualquer forma, acho que a iniciativa foi boa, inclusive para o consumidor, que pagou seis dólares pela edição. Apenas dois dólares a mais que o preço normal da Esquire.
No meu bolso eu já carrego um pedaço do tal papel eletrônico desde que meu EL 71 morreu. Faz umas duas semanas que sou mais um proprietário do Motorola F3, o Motofone. O celular foi desenvolvido para ter baixo custo e poder aproveitar o mercado de países em desenvolvimento e, ao invés de um display LCD, traz um feito com E Ink.

Motorola F3
A parte boa é que a bateria do celular dura bastante, já que há pouco consumo. Além do display “pobre”, ele não é cheio de recursos extras. Basicamente ele recebe e faz ligações, recebe e envia SMS, possui uma agenda de contatos e função de despertador. O meu saiu por R$ 30 e ainda trouxe R$ 15 de bônus para ligações entre aparelhos da mesma operadora.
A parte ruim é que, assim como a capa da Esquire, o E Ink não foi muito bem aproveitado. O display exibe no máximo 6 caracteres por linha e duas linhas por tela. Para escrever e ler mensagens, a situação é um pouco pior: apenas uma linha e a impossibilidade de corrigir uma palavra sem apagar todos os caracteres que sucedem o erro.
Já o Kindle parece usar o E Ink de maneira melhor. Tem suporte a até 4 tons de cinza e, ao que parece, não é feito com células pré-definidas que acendem e apagam para formar um texto. Entretanto, é basicamente limitado ao idioma inglês, já que tem apenas fontes para este idioma.
O jeito é esperar para ver o que mais aparece por aí usando papel eletrônico. Particularmente, eu adoraria ter um dispositivo eletrônico para ler jornais e revistas. Isto resolveria o meu problema com espaço.
Por enquanto eu só não abro mão do formato tradicional dos livros.
Um pouco mais de Dona Holga
Parece que hoje finalmente entenderam o que eu estou fazendo com a Holga e filmes de 35mm. Ao chegar na Ticcolor e explicar que eu tinha um filme com fotos “anormais” para digitalização, o funcionário de pronto falou: ah, são fotos de 120mm! Quase enfartei de felicidade.
A princípio a técnica achou que não conseguiria digitalizar as fotos, já que pedi para manter o máximo possível da área de cada uma, mas no fim acabou dando certo. Peguei os resultados menos de 6 horas depois de deixar os negativos na loja.
Postei as que mais gostei no Flickr: http://flickr.com/photos/felipemiguel. Agora é hora de dar folga para os filmes de 35mm e tentar novamente com os de 120mm. Desta vez serão Fujicolor Superia CN120 (ASA 100, coloridos).
Google Chrome
Acho que pela primeira vez corre o risco de eu gostar mais do manual de um produto do que do produto em si. O manual feito pelo Scott McCloud foi genial, acho que poucos conseguiriam fazê-lo com tanta simplicidade e elegância.
Microcontos
Depois de ler no blog do Alessandro sobre o concurso de microcontos que está rolando no Twitter, lembrei de duas leituras do ano passado (ou retrasado). A primeira foi de um dos menores contos do mundo, O Dinossauro, do escritor guatemalteco Augusto Monterroso:
Cuando despertó, el dinosaurio todavia estaba allí.
(Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá.)
No livro Cartas a um Jovem Escritor, Mario Vargas Llosa usa este microconto como exemplo para explicar, em mais de seis páginas, o ponto de vista temporal de uma narração.
Já a segunda lembrança foi da edição de novembro de 2006 da revista Wired, onde vários escritores (e outros profissionais) foram convidados a demonstrar talento com apenas seis palavras. Entre os convidados estão nomes bastante conhecidos, como Willian Shatner (“Failed SAT. Lost scholarship. Invented rocket.”), Stan Lee (“Automobile warranty expires. So does engine.”), Alan Moore (“Machine. Unexpectedly, I’d invented a time”), Frank Miller (“With bloody hands, I say good-bye.”), Neil Gaiman (“I’m dead. I’ve missed you. Kiss … ?”) e Kevin Smith (“Kirby had never eaten toes before.”).
Como a brincadeira é um tanto intrigante, também resolvi participar do 140 Letras:
#140 Fitando o quarto que acabou de alugar na pensão, lembrou das palavras do pai: é com a escuridão da noite que vemos as estrelas.
Apesar de permitido, não pretendo postar outro conto. Acho que a participação devia ter sido limitada a um ou dois contos por pessoas. Mas já deu para perceber como é difícil expressar-se claramente com tão poucos caracteres. Na minha cabeça o que eu escrevi faz sentido, porque tem toda uma situação que imaginei antes de escrever. Mas isso pode não acontecer para quem lê.
Acho que microcontos valem como exercícios para praticar um dos grandes conselhos para textos técnicos ou textos voltados para a internet: simplifique, simplifique!
Finalmente!
Depois de uma grande novela, tenho casa novamente.
Ainda não sei o que fazer com o conteúdo antigo do blog. O Boto me enviou um dump com todos os meus posts, mas ainda não sei o que farei. Muitos posts não valem a pena ser recuperados e os que valem precisam de alguns ajustes (imagens e links quebrados, por exemplo).
De qualquer forma, estou de volta!
Aprontando com a Holga
Finalmente comecei a produzir alguma coisa com a Holga 120N que a Cibele trouxe dos EUA para mim. As primeiras fotos que tirei foram com filme Ilford HP5+ 400, mas não gostei muito da impressão que o laboratório fez. Eles tiraram o vignetting de todas as fotos:
Outra experiência boa foi adaptar a câmera para usar um filme de 35mm, já que por padrão ela suporta apenas 120mm. Como podem ver, o processo é uma gambiarra que envolve pedaços de espuma, elásticos e fita isolante:

Holga com Filme de 35mm
É um pouco trabalhoso ficar contando o número certo de cliques para avançar cada pose, mas acho que o resultado final compensa:
Publiquei mais fotos destes dois filmes no Flickr.






