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	<title>Felipe Arruda &#187; Teatro</title>
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	<description>Astronomia, literatura, viagens e outros hobbies e interesses</description>
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		<title>Sator arepo tenet opera rotas</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2009/05/sator-arepo-tenet-opera-rotas/</link>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 17:08:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Shakespeare]]></category>

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		<description><![CDATA[Lendo sobre palíndromos na internet, encontrei este que é bastante curioso: Sator arepo tenet opera rotas. A frase, em latim, foi traduzida no site como Sator [a man's name] holds the handles of the plow in plowing. Em português ficaria Sator segura as guias do arado ao arar. Na Wikipedia a tradução é diferente:
Sator &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lendo sobre palíndromos na internet, encontrei este que é bastante curioso: Sator arepo tenet opera rotas. A frase, em latim, foi traduzida no <a href="http://www.wordinfo.info/words/index/info/view_unit/1557">site</a> como <i>Sator [a man's name] holds the handles of the plow in plowing</i>. Em português ficaria <em>Sator segura as guias do arado ao arar</em>. Na <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sator_Square">Wikipedia</a> a tradução é diferente:</p>
<p>Sator &#8211; semeador<br />
Arepo &#8211; nome próprio<br />
Tenet &#8211; ele segura<br />
Opera &#8211; trabalha, esforça, cuida<br />
Rotas &#8211; rodas</p>
<p>Duas possíveis traduções, de acordo com o artigo, são: <em>O semeador Arepo segura as rodas com esforço</em> e <em>O semeador Arepo guia com suas mãos (trabalha) o arado (rodas)</em>.</p>
<p>Um palíndromo é uma frase que pode ser lida tanto da esquerda para a direita quanto da direita para a esquerda. O interessante deste palíndromo é que, além disso, as primeiras letras de cada palavra formam a primeira palavra, as segundas letras de cada palavra formam a segunda palavra, e assim vai.</p>
<p>Desta forma, organizado em um quadrado, é também possível ler a mesma frase verticalmente. Este palíndromo é mundialmente conhecido como o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sator_Square">Quadrado de Sator</a>:</p>
<p><center><div id="attachment_331" class="wp-caption aligncenter" style="width: 190px"><img src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/05/quadrado-sator.png" alt="Quadrado de Sator" title="Quadrado de Sator" width="180" height="180" class="size-full wp-image-331" /><p class="wp-caption-text">Quadrado de Sator</p></div></center></p>
<p>O registro mais antigo deste palíndromo foi encontrado nas ruínas de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Herculano">Herculano</a>, cidade soterrada sobre as cinzas do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Ves%C3%BAvio">Monte Vesúvio</a> no ano 79.</p>
<p>Como bem notado pelo <a href="http://caio.ueberalles.net/log">Caio</a>, o Quadrado de Sator também é associado ao cristianismo, à numerologia e à magia, mas pelo bem da sanidade pública, prefiro ressaltar o palíndromo apenas pela sua curiosidade lingüística.</p>
<p>Isso me lembra também uma lição que envolve o soneto 129 de Shakespeare, que foi apresentado e explicado esses dias em uma das aulas da <a href="http://www.solardorosario.com.br/literatura_teatro.htm">Oficina de Textos Literários</a> que estou cursando:</p>
<blockquote><p>The expense of spirit in a waste of shame<br />
Is lust in action: and till action, lust<br />
Is perjured, murderous, bloody, full of blame,<br />
Savage, extreme, rude, cruel, not to trust;<br />
Enjoyed no sooner but despised straight;<br />
Past reason hunted; and no sooner had,<br />
Past reason hated, as a swallowed bait,<br />
On purpose laid to make the taker mad.<br />
Mad in pursuit and in possession so;<br />
Had, having, and in quest to have extreme;<br />
A bliss in proof, and proved, a very woe;<br />
Before, a joy proposed; behind a dream.<br />
All this the world well knows; yet none knows well<br />
To shun the heaven that leads men to this hell.</p></blockquote>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Roman_Jakobson">Roman Jakobson</a> <a href="http://books.google.com.br/books?id=O_ctbiau0dAC&#038;printsec=frontcover&#038;source=gbs_summary_r&#038;cad=0">notou</a> que no primeiro verso do soneto, as palavras <strong>sh</strong>ame, e<strong>xp</strong>ense e sp<strong>ir</strong>it formam a pronúncia do nome Shakespeare. O pensador russo também percebeu que se trocarmos <i>well</i> por <i>Will</i> (diminutivo de Willian) nos últimos dois versos conseguimos uma nova leitura do soneto.</p>
<p>Moral da história: palíndromos e anagramas são coisas para doidões!</p>
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		<title>Ler ou não ler?</title>
		<link>http://www.felipearruda.com/blog/2009/04/ler-ou-nao-ler/</link>
		<comments>http://www.felipearruda.com/blog/2009/04/ler-ou-nao-ler/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2009 17:12:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hobbies]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[DVD]]></category>
		<category><![CDATA[Shakespeare]]></category>

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		<description><![CDATA[Há uns dois meses, comprei um DVD com uma encenação de Hamlet pelo Teatro Oficina. A sinopse dizia que esta versão do Zé Celso, &#8220;embalada por bossa-nova, batuque, samba e rock&#8221;, não tinha perdido &#8220;a força dramática&#8221;, mas sim colocado em evidência a &#8220;contemporaneidade do texto e intensidade do tema&#8221;.
Eu nunca tinha lido Shakespeare. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uns dois meses, comprei um <a href="http://dvdworld.com.br/dvdworld.hts?+TR31027+acha">DVD</a> com uma encenação de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hamlet">Hamlet</a> pelo <a href="http://www.teatroficina.com.br/">Teatro Oficina</a>. A sinopse dizia que esta versão do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Celso_Martinez_Corr%C3%AAa">Zé Celso</a>, &#8220;embalada por bossa-nova, batuque, samba e rock&#8221;, não tinha perdido &#8220;a força dramática&#8221;, mas sim colocado em evidência a &#8220;contemporaneidade do texto e intensidade do tema&#8221;.</p>
<p>Eu nunca tinha lido Shakespeare. Não sei ao certo a razão, mas desconfio que seja por causa dessa aura de erudição que atribuem a ele, como se a sua obra fosse intocável, difícil de ler. Mas eu tinha comprado este DVD, o material parecia bom e, na minha cabeça analítica, eu precisava ler antes a peça para poder compreender melhor as &#8220;experimentações&#8221; que o Teatro Oficina tinha feito. Comprei então a edição de Hamlet publicada pela <a href="http://www.lpm.com.br">L&amp;PM</a>, traduzida por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mill%C3%B4r_Fernandes">Millôr Fernandes</a> e que custa dez reais em qualquer livraria ou banca de revista.</p>
<p>Comecei a ler meio desconfiado e, algumas páginas depois, eu já estava rindo, adorando a leitura. No começo cheguei até a desconfiar da tradução do Millôr, pensando que o tom humorístico do texto era culpa da tradução. Conferi com o original e gostei mais ainda da tradução. Hamlet é trágico, mas nem por isso é aborrecido. E tem seus momentos de humor, sim!</p>
<p>Li Hamlet rapidinho e, no outro dia, já comprei <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_megera_domada">A Megera Domada</a> (The Taming of the Shrew), também traduzido pelo Millôr. Desta vez eu tive um pequeno problema: graças ao uso da peça em uma novela da Rede Globo, o Petrúquio aparecia para mim com a cara do Eduardo Moscovis. Mesmo assim, foi recompensador ler Shakespeare de novo.</p>
<p>É claro que existe profundidade na obra de Shakespeare. Existem diversos trabalhos acadêmicos que provam isso, alguns até explorando a personalidade e a sanidade de alguns personagens, como pude constatar no <a href="http://publicoeprivado.wordpress.com/2009/04/08/programacao-do-abril-de-shakespeare/">Abril de Shakespeare</a>. Mas as peças de Shakespeare também servem para aqueles que procuram apenas entretenimento, afinal, ele escrevia suas peças para o povo.</p>
<p><center><br />
<div id="attachment_323" class="wp-caption aligncenter" style="width: 448px"><a href="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/imagem2.png"><img class="size-full wp-image-323" title="Zé Celso no Extra do DVD" src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/imagem2.png" alt="Zé Celso no Extra do DVD" width="438" height="325" /></a><p class="wp-caption-text">Zé Celso no Extra do DVD</p></div></center></p>
<p>Depois, fui fisgado pelos Sonetos. A culpa foi do La République des Livres, que publicou <a href="http://passouline.blog.lemonde.fr/2009/04/11/shakespeare-amoureux/">um artigo</a> sobre a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Shakespeare%27s_sonnets#Dedication_to_Mr._W.H.">dedicatória misteriosa</a> que a obra traz. Li alguns dos sonetos online, novamente comparando traduções e o texto original, e depois cheguei a listar todos as obras do bardo que eu espero ler. Mas antes de prosseguir com as leituras, eu precisava encarar <a href="http://www.teatroficina.com.br/plays/4">Ham-Let</a>, a montagem em DVD que eu havia comprado.</p>
<p>Aproveitei uma manhã de sábado e comecei a assistir o primeiro disco. A primeira impressão positiva que eu tive foi da disposição do palco e da platéia, tudo meio misturado, sem aquela separação arcaica de público e espetáculo. A peça também começa com um prelúdio, incluindo o nascimento performático do príncipe, como se estivessem passando um filme em <em>fast forward</em> até o ponto da primeira cena do livro, onde os guardas avistam, pela primeira vez, o fantasma do rei assassinado.</p>
<p><center><br />
<div id="attachment_321" class="wp-caption aligncenter" style="width: 450px"><a href="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/imagem1.png"><img class="size-full wp-image-321" title="Marcelo Drummond como o Príncipe Hamlet" src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/imagem1.png" alt="Marcelo Drummond como o Príncipe Hamlet" width="440" height="328" /></a><p class="wp-caption-text">Marcelo Drummond como o Príncipe Hamlet</p></div></center></p>
<p>A segunda impressão positiva foi a mistura de elementos pop e contemporâneos, como rock, blues, projeção de vídeo e legendas, personagem com a cara do Sílvio Santos e algumas descontextualizações. Além disso, a peça não tem pudores e está cheia de nudez, homoerotismo e até masturbação, tudo com o devido close durante as filmagens. Outra surpresa que eu não esperava encontrar era o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pascoal_da_concei%C3%A7%C3%A3o">Pascoal da Conceição</a>, o Dr. Abobrinha do Castelo Rá-tim-bum, interpretando <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%B3nio_(Hamlet)">Polônio</a>, o pai de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Of%C3%A9lia_(personagem)">Ofélia</a>.</p>
<p>Depois de 1:58h, a primeira parte acabou. Quando coloquei o segundo disco, minha cabeça explodiu: ainda restavam mais <span style="font-family: Helvetica-Bold,sans-serif;"><strong>três</strong></span> horas de filme! Ham-Let é uma peça com <span style="font-family: Helvetica-Bold,sans-serif;"><strong>cinco</strong></span> horas de duração! Tive que esperar uma semana para ter tempo livre e poder assistir o segundo disco. Valeu cada segundo, valeu cada centavo dos R$ 29,90 que paguei no DVD.</p>
<p><center><br />
<div id="attachment_322" class="wp-caption aligncenter" style="width: 451px"><a href="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/imagem4.png"><img class="size-full wp-image-322" title="Ofélia (Camila Mota) e Polônio (Pascoal da Conceição)" src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/imagem4.png" alt="Ofélia (Camila Mota) e Polônio (Pascoal da Conceição)" width="441" height="328" /></a><p class="wp-caption-text">Ofélia (Camila Mota) e Polônio (Pascoal da Conceição)</p></div></center></p>
<p>Além da peça, o primeiro disco traz dois extras que não perdi tempo em assistir: uma entrevista com Zé Celso, passeando com o elenco pelas ruas de São Paulo com direito a vinho e bexigas verdes, e um documentário sobre a trajetória do Teatro Oficina, com depoimentos de Zé Celso, Marcelo Drummond e Camila Mota. Por causa desses extras, li <a href="http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=espetaculos_biografia&amp;cd_verbete=456">O Rei da Vela</a>.</p>
<p>Com um DVD, dois pocket books, uma palestra e a internet, eu aprendi e confirmei que:</p>
<ol>
<li>Nunca devemos nos curvar diante da &#8220;elitização&#8221; de uma determinada obra ou autor, principalmente no teatro;</li>
<li>Precisamos ignorar nossos preconceitos quando o assunto for arte. Experimentar primeiro, reclamar depois;</li>
<li>Nunca é tarde para &#8220;descobrir&#8221; o Teatro Oficina. O Oficina é um patrimônio, ou um anti-patrimônio, muito valioso;</li>
<li>A sensação de descoberta e de estranhamento ao ler um livro, é impagável;</li>
<li>Uma coisa leva à outra;</li>
<li>Ler Shakespeare é sensacional!</li>
</ol>
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