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Passeata pró-Palestina em Curitiba

O CMI e o Tudo Paraná reportam que dia 9 de janeiro, às 11h, sairá da praça Santos Andrade (em Curitiba) uma passeata contra a invasão israelense à Faixa de Gaza. Participe!
Natal sem pães em Gaza
O artigo a seguir foi traduzido, sem autorização, do The Electronic Intifada, um importante portal de notícias sobre o conflito Israel-Palestina. se você preferir, leia o artigo original, em inglês.
A Faixa de Gaza, lar de mais de 1.5 milhões de palestinos, logo ficará sem um dos seus produtos mais essenciais: o pão. Enquanto as famílias no mundo todo celebram o natal, reunindo-se ao redor de uma mesa farta, os pais de Gaza, como eu, não poderão oferecer pão para os seus filhos, a não ser que Israel abra as barreiras comerciais.
Ontem, depois de terminar minha palestra em uma das universidades de Gaza, minha esposa me pediu para comprar alguns pães na cidade de Gaza. Todas as panificadoras da nossa área pararam de trabalhar por causa da falta de farinha de trigo e gás de cozinha, graças ao cerco israelense em nosso território que já dura 18 meses.
Eu dirigi pela cidade de Gaza tentando encontrar alguns pães para as minhas quatro crianças, mas acabei encontrando uma cena miserável. Na volta para minha casa no campo de refugiados Maghazi, que fica no centro da Faixa de Gaza, eu vi dezenas de pessoas fazendo fila para conseguir alguns pães na Padaria al-Yazji. Eu logo percebi que levaria uma ou duas horas até que chegasse a minha vez na fila, e neste tempo o pão já teria acabado. Então eu segui para casa, sem pães.
“Pai, nós queremos comer, nós não temos pães,” reclamou a minha filha mais velha. Eu parei por um instante e então pedi para o meu filho Munir trazer alguns sanduíches de falafel — nossa fast food — para podermos preencher rapidamente o espaço vazio em nossos estômagos. Felizmente, depois de um tempo o Munir voltou trazendo os sanduíches, comprados a um preço alto.
Enquanto comíamos, a minha esposa me pediu para dirigir bem cedo até a cidade de Gaza no dia seguinte para tentar comprar alguns pães. Imagine que hoje em Gaza, comprar um simples pacote de pães envolve ter que acordar de madrugada, comprar um galão de gasolina a um preço muito elevado, já que a gasolina está sendo contrabandeada do Egito, e perder duas ou três horas para conseguir comprar os pães! Claro que este transtorno não torna a minha família especial. Esta é a história de todas as famílias em Gaza que tentam sobreviver no meio desta crise humanitária criada por Israel.
De acordo com Abdel Naser al-Ajrami, presidente da associação de padeiros em Gaza, mais de 27 panificadoras, de um total de 47 na cidade de Gaza, estão fechadas por causa da falta de gás de cozinha e farinha de trigo, já que as fronteiras comerciais estão fechadas, por ordem de Israel, por quase dois meses agora. Al-Ajrami explicou ontem que uma quantidade suficiente destes produtos será distribuída para as panificadoras nos próximos três dias, adicionando que os oficiais do Hamas têm feito grandes esforços para garantir que a quantidade necessária de gás e farinha de trigo possa ser entregue em Gaza.
No dia 18 de dezembro, a Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA) parou a distribuição de comida para os 750.000 refugiados em Gaza, incluindo a minha família, porque ficaram sem farinha de trigo em seu estoque. De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Israel permite que apenas 16 caminhões com bens por dia entrem em Gaza. Em contraste, 475 caminhões por dia entraram na Faixa de Gaza em maio de 2007 quando a milícia do Hamas tomou o controle da região depois de uma luta com as forças do partido Fatah, do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas.
Com a aproximação do Ano Novo, fica incerto o que teremos nos armazéns de Gaza já que um acordo de cessar-fogo de seis meses entre Israel e os grupos de resistência da Palestina terminou no começo desta semana. Em resposta à prisões e mortes extrajudiciais de palestinos pelas forças israelenses, os grupos de resistência de Gaza lançaram novamente foguetes contra o sul de Israel. Com a aproximação das eleições em Israel, o destino de famílias como a minha torna-se interesse da retórica política, cada candidato tentando fazer o seu melhor nas promessas de danos contra as nossas vidas. Gaza continua sendo a maior prisão à céu aberto do mundo. Entretanto, diferente de outras prisões, aqui é permitido que os internos passem fome. Enquanto isto, os carcereiros israelenses continuam sem a devida punição dos Estados Unidos e da União Européia pelos seus crimes.
Rami Almeghari é contribuidor da The Electronic Intifada, IMEMC.org e Free Speech Radio News. Rami é também tradutor senior de inglês e editor-chefe do centro de notícias internacionais em Gaza do Serviço de Informação Palestino e professor sobre tradução política e midiática na Universidade Islâmica de Gaza. Ele pode ser contatado através do e-mail rami_almeghari A T hotmail D O T com.
Undecided
To put them in perspective, I think of being on an airplane. The flight attendant comes down the aisle with her food cart and, eventually, parks it beside my seat. “Can I interest you in the chicken?” she asks. “Or would you prefer the platter of shit with bits of broken glass in it?”
To be undecided in this election is to pause for a moment and then ask how the chicken is cooked.
Yes, I know I’m late, but this article written by Sedaris is definitely worth reading. (via Flavio Moura)
Sabra e Shatila - 25 anos
Na manhã do dia 11 de setembro de 2001 eu liguei a TV para assistir alguma coisa enquanto tomava a minha dose matinal de cafeína. Eu demorei alguns minutos para perceber o que estava acontecendo e lembro de ter ficado bastante espantado com as imagens que via.
Escrevi um bilhete para meu irmão e deixei em cima da mesa antes de sair de casa: “Um avião se chocou contra o World Trade Center. Há suspeitas de Terrorismo. Terceira Guerra?”
Ao longo do dia acompanhamos as notícias pela internet, perplexos. Dois aviões contra as torres, um contra o Pentágono e outro que não chegou a atingir o seu alvo. Pessoas desesperadas se atirando do WTC.
Muitas palavras ficaram populares desde então, e a maioria delas começavam com o artigo definido al. Ninguém vai esquecer o 11/09. Foi triste, brutal e um marco na história. Eu mal consigo imaginar as proporções desses ataques. E ainda hoje há seqüelas deste dia, como os bombeiros que agora sofrem de doenças respiratórias depois de terem trabalhado nos escombros.
Da mesma forma, um outro dia deste mês deveria ser lembrado: o 16 de setembro.
Dois dias depois do assassinato do presidente Bachir Gemayel (eleito em 23 de agosto de 1982, bastante popular entre os cristãos maronitas e morto em 14 de setembro com uma bomba), os campos de refugiados palestinos Sabra e Chatila (Beirute - Líbano) foram invadidos, com o apoio do exército israelense, pela Falange (milícia cristã).
Muitos civis de nacionalidade árabe foram mortos. A maior parte das vítimas era palestina e em sua maioria mulheres, crianças e idosos. Por causa das dificuldades e condições do massacre, o número de vítimas varia de acordo com a fonte, indo de 700 a 3500.
No livro Pity The Nation - The Abduction of Lebanon, Robert Fisk conta como foi a cobertura do massacre, no dia 18 de setembro. Só o começo já assusta:
It was the flies that told us. There were millions of them, their hum almost as eloquent as the smell. (…) If we stood still, writing in our notebooks, they would settle like an army - legions of them - on the white surface of our notebooks, hands, arms, faces, always congregating around our eyes and mouths, moving from body to body, from the many dead to the few living, from corpse to reporter, their small green bodies panting with excitement as they found new flesh upon which to settle and feast.
(…)
The murderers - the Christian militiamen whom Israel had let into the camps to ‘flush out terrorists’ - had only just left. In some cases, the blood was still wet on the ground. When we had seen a hundred bodies, we stopped counting. Down every alleyway, there were corpses - women, young men, babies and grandparents - lying together in lazy and terrible profusion when they had been knifed or machine-gunned to death.
O 11 de setembro de 2001 e o 16 de setembro de 1982 não estão diretamente ligados. Mas em ambas as datas as grandes vítimas foram os civis. E assim como não existe uma cultura mais importante que outra, também não existe uma baixa civil mais triste ou dolorida do que outra. Para mim, ler O Livro das Mil e Uma Noites é tão culturalmente relevante quanto ler Dumas ou Whitman. Lembrar o 16/09/82 é tão politicamente/humanamente importante quanto lembrar o 11/09/01.
Como diz o escritor israelense Amos Oz, não somos ilhas. Nós não vivemos isolados. A capacidade de poder se imaginar no lugar do outro, de poder imaginar a dor do outro, já é uma defesa contra o fanatismo.