Felipe Arruda

Eu uso monocelha e acho legal!

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Luanda - parte final

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Hoje foi dia de se despedir. Almocei pela última vez no Panela de Barro (finalmente!) e provei a fruta que nasce do Imbondeiro, a múcua. O fruto é seco e possui um sabor leve, porém um pouco azedo. A múcua não se come, se chupa, como uma bala. É seca e derrete na boca, parecido com um suspiro.

Tomando gelado de múcua

Tomando gelado de múcua

Gostei muito de Luanda e principalmente de Angola. Gostaria de conhecer outras províncias, mas infelizmente não deu certo. Foi muito bom estar aqui e conhecer um país que é tão presente dentro do Brasil. Foi bom também conhecer um povo tão forte. Nunca vou esquecer a imagem das mulheres que carregam um filho às costas e uma bacia cheia de mangas na cabeça durante o dia todo, em um calor de 26C.

É bom ver que, apesar de qualquer dificuldade, Angola corre, não caminha. Eu desejo tudo do melhor para o país e para o povo angolano.

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December 5th, 2008 at 5:25 pm

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Luanda - parte 9

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Edu

Edu, surfista de Cabo Ledo

- Posso tirar uma foto do surfista?
- Sim.
- Qual é o seu nome?
- Edu.
- Você pega onda ali na praia?
- Sim.
- Tem muita gente por lá agora?
- Sim, muita gente.
- Okay…
- Duzentos kwanzas.
- Oi?
- São duzentos kwanzas.

Para resumir, dei uma de joão-sem-braço e não paguei.

Written by felipe

November 30th, 2008 at 2:04 pm

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Luanda - parte 8

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No último domingo fomos novamente para Cabo Ledo, a praia na província do Bengo, a 120km de Luanda. Na ida tivemos um pequeno contratempo com o documento de aluguel do veículo que estávamos utilizando. O papel dizia que o aluguel já tinha vencido no fim de outubro, mas ninguém sabia disto. Na verdade o aluguel do carro havia sido prorrogado, mas o documento não foi atualizado e, é claro, só descobrimos isso depois de sermos parados pelos policiais na fronteira com a província. Dois mil kwanzas depois, prosseguimos.

Ônibus abandonado em Luanda

Ônibus abandonado em Luanda

Desta vez pedi para descer um pouco antes e fui caminhando até o complexo turístico. A idéia era tentar fotografar um pássaro muito bonito que já tinha visto nesta estrada. Eles vivem em grupos e estão sempre repousando nas árvores e arbustos desta estrada.

Foi um pouco frustrante tentar fotografá-los com minha câmera point-and-shoot, mas consegui. E, em Curitiba, o meu irmão conseguiu identificar a espécie: Lamprotornis chalybaeus. Pena que ainda não descobri o nome popular do pássaro em Angola.

Lamprotornis chalybaeus

Lamprotornis chalybaeus

Em Cabo Ledo resolvemos caminhar até a praia dos surfistas e foi uma ótima idéia. A praia é muito bonita, com pedras enormes, aluguel de cabanas para se proteger do sol e, como era de se esperar, muitas pessoas tentando pegar onda.

Praia dos Sufistas

Praia dos Sufistas

Depois de voltarmos ao complexo turístico, almoçamos mal, pagamos caro e voltamos para a cidade. No caminho paramos perto do Miradouro da Lua para eu pegar a encomenda feita pelo meu irmão: um pouco de terra da África.

Amanhã o pessoal vai de novo até o Cabo Ledo, mas estou pensando em ficar em casa. Não estou com muita vontade de enfrentar viagem e praia de novo. Mas amanhã eu decido.

Também está chegando a hora de voltar para casa. Amanhã começa nossa última semana aqui e também vence o meu visto. Que a força esteja conosco.

Written by felipe

November 29th, 2008 at 6:53 am

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Luanda - parte 7

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- Arito, já viu algum pula* fazer xixi na rua?
- Já, já vi sim.
- Então vai ver mais um.

O João (que já deve estar em Lisboa) e o Arito (motorista) deram risada e eu desci do carro para me aliviar atrás de algumas árvores na praia.

Eu passei o domingo todo reclamando da incontinência urinária dos homens da cidade, mas acabei me rendendo no domingo passado.

O trânsito aqui é complicado, estilo cada um por si e Deus contra todos. A saída da ilha de Luanda no domingo à tarde é simlesmente infernal. Chegamos na ilha às 18:30h e já víamos a fila que se formava para deixar a ilha. Matamos um tempo no Café del Mar com a esperança de que o congestionamento diminuísse, mas não adiantou muito. Era 19:30 e tudo continuava igual.

A estrada que se usa para entrar e sair da ilha é de mão dupla e estreita. Talvez o ideal fosse apenas uma faixa em cada direção, até porque em alguns trechos os carros estacionados também disputam espaço com aqueles que estão tentando trafegar:


Mas na prática, isso não funciona. Com o grande número de veículos daqui, duas faixas para cada sentido ajudam a diminuir engarrafamentos:


O problema é que aqui tem muitos veículos e muitos motoristas com pouca paciência. Então é fácil presenciar o nascimento de uma terceira faixa no acostamento ou na linha que divide os dois sentidos. Quando algum espertinho resolve fazer isso, outros espertinhos resolvem segui-lo e o trânsito já começa a ficar bagunçado:

Dependendo do horário, é normal que um sentido esteja mais congestionado que o outro. Sair da ilha às 19h, por exemplo, é uma tarefa difícil. Mas entrar na ilha neste horário é muito tranqüilo. Por isso, em alguns momentos, a segunda faixa de algum sentido acaba desaparecendo por alguns instante. Neste momento alguns motoristas ainda mais espertinhos resolvem invadir a contra-mão e fazer o rio correr ao contrário:

E, como se não bastasse, os motoristas resolvem alternar entre as quatro faixas para tentar ganhar tempo:

E nada é tão ruim que não possa piorar. Domingo passado, por exemplo, um carro que tentava entrar na ilha se recusava a ceder a faixa invadida por um candongueiro que tentava sair da ilha. Os dois ficaram parados, um de frente para o outro, num longo teste de paciência. A quarta faixa, que nem deveria existir, já não andava mais. Assim, os espertinhos que estavam nela precisavam cortar a frente dos motoristas das outras faixas para poderem prosseguir viagem:

Adicione a este cenário motos costurando entre os carros, buzinas, gritos, vendedores ambulantes, uma ou outra confusão e você vai entender porque não consegui segurar por mais tempo. Luanda, minhas sinceras desculpas. Prometo que de agora em diante vou sempre me despedir do banheiro antes de tentar sair da ilha.

* Pula é gíria para branco.

Written by felipe

November 26th, 2008 at 7:17 am

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Luanda - parte 6

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Acho que o ritmo mais tocado em Luanda é o kuduro, uma espécie de “funk carioca” angolano. As músicas são bem animadas e possuem letras simples, repetitivas e bem-humoradas. O nome do ritmo vem do fato de as pessoas dançarem sem mexerem muito o quadril. Aliás, tem uma curiosidade lingüística tola e interessante: para os portugueses e angolanos, a palavra cu é usada para a representar a bunda toda, e não apenas o ânus.

Voltando ao assunto, quando fui ao Belas Shopping percebi que um CD aqui custa em média 1.500 kwanzas (cerca de 20 dólares). Nas ruas você encontra CDs piratas que não custam nem 10% deste valor. Em ambos os casos, os preços são bem parecidos com os praticados no Brasil.

Ainda não consegui comprar o álbum do MC Kapa, um rapper angolano que fiquei conhecendo através do Canal Brasil. Não encontro em lugar nenhum, nem nas lojas e nem com os putos na rua. Amanhã de manhã vou tentar em uma loja que fica perto do apartamento onde estamos hospedados. Encontrei os CDs do MC Kapa e do Brigadeiro 10 Pacotes com os meninos que vendem coisas no meio do trânsito. De qualquer forma, vou ver se não encontro os CDs originais, porque acho que valem a pena.

Por falar em hip-hop, Luanda parece ter uma cena bem legal. Já peguei MP3 de outro artista (Pai Grande, o Poeta) e fiquei com vontade de ouvir o Brigadeiro 10 Pacotes. Preciso encontrar estes CDs antes de partir.

Langi em Luanda

Langi em Luanda

Na terça-feira passada assistimos o show da banda congolesa Langi, no espaço Chá de Caxinde. Além de gratuito, o show foi muito bom. Acho que poucas coisas no mundo conseguem ser mais graciosas do que a dança e o canto de uma mulher africana.

Written by felipe

November 21st, 2008 at 1:26 pm

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Luanda - parte 5

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Tenho mais 19 dias em Luanda, mas se eu fosse embora hoje, já estaria satisfeito. No final de semana passado conheci o famoso Miradouro da Lua e a praia de Cabo Ledo, que fica a cerca de 120 km de Luanda. Saímos do apartamento às 7 da manhã e, depois de um café na Pastelaria Bolo Rei, partimos para o sul. Acho que vale contar que pastelarias aqui não vendem pastéis. Esta é a forma com que chamam as confeitarias.

A placa que indica o Miradouro da Lua

A placa que indica o Miradouro da Lua

A primeira parada, depois de um bom engarrafamento para sair da cidade, foi o Miradouro da Lua. Eu sempre achei que o lugar tinha este nome porque era uma boa região para observar o céu, mas eu estava enganado. Segundo uma placa que tem na entrada do Miradouro, o ponto turístico tem este nome porque dizem que se parece com a superfície lunar.Mas independente de parecer ou não com a Lua, eu gostei muito do Miradouro. A vista é muito bonita e eu poderia passar horas sentado ali, contemplando os arenitos esculpidos pela erosão e o mar ao fundo.

Arenitos

Arenitos

Depois de algumas fotos, partimos para a praia de Cabo Ledo, que fica na província de Kwanza Norte. Estacionamos o carro no complexo turístico Doce Mar, que dispõem de várias casas para aluguel. Apesar de eu não gostar muito de praia, parece ser divertido passar um final de semana ali. Segundo o Ariel, o Hernani e o Vitor, o mar estava bonito como nunca tinham visto antes.

Pescadores em Cabo Ledo

Pescadores em Cabo Ledo

No próprio complexo turístico existe um bar/restaurante com mesas e guarda-sóis, onde é possível matar o bicho e a sede, ou se refrescar tomando um gelado. Mas aviso que não é muito barato. Dois sumos (um de limão e um de laranja) e dois sorvetes Mega custaram quase mil kwanzas.

Cabo Ledo

Cabo Ledo

Quem se interessar, coloquei mais fotos no Flickr. Tem inclusive foto do Peito-Celeste (ou Catuiti), um passarinho muito bonito e bem comum na cidade. Eu não gostaria de me tornar um birding geek, mas já estou começando a sentir os primeiros sintomas. O bom é que parte dos equipamentos (binóculo e uma câmera fotográfica boa) serviria também para a prática de astronomia amadora.

Peito-Celeste (Uraenghitus angolensis)

Peito-Celeste (Uraenghitus angolensis)

Ah, sim! Já ia me esquecendo: Luciano Huck, Joelma, Chimbinha e o restante da banda Calypso tocaram aqui, no Estádio dos Coqueiros. Junto com eles também se apresentaram dois músicos angolanos: Yuri da Cunha e Yola Semedo. Nós bem que gostaríamos de ver eles tocando Aces High, mas acabamos desistindo.

Written by felipe

November 17th, 2008 at 5:44 pm

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Luanda - parte 4

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Hoje, 11 de novembro, é dia da independência de Angola. Acordei um tanto cedo e, enquanto tomava o meu pequeno almoço, assisti parte de um documentário na TPA que contava como foi o processo da independência de Angola. O que mais gostei é que o documentário mostrava alguns pormenores que ninguém nunca lembra de contar, como quem desenhou e quem costurou a primeira bandeira da nação.

Segundo o documentário, a primeira versão da bandeira foi feita em algodão, mas o então quase-presidente Agostinho Neto exigiu que ela fosse refeita em cetim. Já era dia 9 de novembro e as costureiras ficaram bastante nervosas. Acabaram conseguindo o cetim para a confecção, mas se me lembro bem, o símbolo da bandeira acabou sendo feito em algodão mesmo. Na noite anterior à independência as costureiras precisavam entregar a bandeira ao presidente e, para isso, tiveram que escondê-la em um saco de pão para poderem passar sem problema pelos militares portugueses.

Como hoje é feriado nacional, não trabalhamos. Aproveitamos o dia para ir ao Belas Shopping com o Agostinho, um amigo do Ariel que já está há quatro anos em Luanda.

Belas Shopping

Belas Shopping

A região onde o shopping fica é gira, bem planejada e possui residências muito bonitas. O shopping não é muito grande (comparado com os curitibanos ou paulistas), mas tem lojas muito boas e uma praça de alimentação com bastante opções, de fast food à alta gastronomia. Tem até uma filial do Panela de Barro, o restaurante onde comemos todo dia.

Só eu acho o Daniel Craig parecido com o Will Self?

Só eu acho o Daniel Craig parecido com o Will Self?

O shopping também tem oito salas de cinema e aproveitamos para assistir Quantum of Solace. Me surpreendi com o filme. Pensei que seria só mais um filme de ação, mas o novo 007 é muito mais que isso: é um filme de ação ininterrupta do começo ao fim. Quando voltar ao Brasil vou tentar assistir todos os filmes da série. E a propósito, achei o cinema muito bom.

Livros! Livros!

Livros! Livros!

E como parece que os livros me perseguem (ou eu a eles), encontrei duas surpresas: um fotógrafo brasileiro lançando um livro sobre Angola e uma “tenda” com dezenas de livros à venda no corredor do shopping. Vários livros me interessaram, mas estou a economizar. Além disso tem o inconveniente de que papel costuma pesar demais e eu já trouxe três livros do Brasil para ler aqui.

Written by felipe

November 11th, 2008 at 5:29 pm

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Luanda - parte 3

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Ao fundo, Baía de Luanda.

Ao fundo, Baía de Luanda.

De manhã fomos até a empresa onde trabalha um dos consultores portugueses que dividem o apartamento conosco. O ambiente é legal e tem uma conexão boa com a internet. Além disso, quatro nerds trancados em uma sala com ar condicionado me faz lembrar Curitiba.

No caminho conheci um outro lado de Luanda, uma região mais próxima do aeroporto. Entre as cenas que pude ver de dentro do carro, algumas me chamaram a atenção: vendedores ambulantes no meio do trânsito vendendo peixes ornamentais vivos, uma banda de hip-hop gospel chamada Alaridos divulgando o disco deles e crianças dormindo tranqüilamente, presas às costas da mãe, enquanto esta ganha a vida vendendo alguma fruta na calçada.

Passamos também por uma praça muito bem arrumada, com uma estátua enorme de Agostinho Neto, poeta e primeiro presidente de Angola. Aliás, vi estes dias que há alguns meses o Agualusa gerou um bocado de ruído ao emitir uma crítica negativa sobre as poesias do ex-presidente.

Depois do almoço passamos conferir a segunda edição da Tenda das Letras, uma feira literária que está acontecendo perto do Liceu Salvador Correia. A feira é bastante simples, mas a iniciativa é bastante posiiva. Quando passamos lá havia quatro barracas vendendo livros. Procurei por algum volume de história Angolana mas, infelizmente, não encontrei.

Tenda das Letras

Tenda das Letras

Dos livros que vi, fiquei interessado em uma antologia de contos e provérbios angolanos. Parece um bom livro e uma edição muito boa, mas o preço de três mil kwanzas me fez adiar a compra. Amanhã é o último dia da feira.

Também aprendi onde fica o Museu Nacional de Antropologia e acho que posso ir a pé até ele. Só preciso descobrir o horário de funcionamento, porque a caminhada não é muito pequena.

Atualmente, a única coisa que me incomoda em Luanda é a presença de conflito racial e xenófobo. Hoje mesmo, na volta para casa, um angolano passou pelo nosso carro fazendo alguns gestos e nos xingando. Ou melhor, xingando nossas mães, ao que um de nós respondeu baixinho, dentro do carro: pois sou teu irmão, logo tua mãe também é.

Eu nunca tinha experimentado uma situação assim antes. Nunca ninguém tinha me xingado pelo o que eu sou ou pelo o que eu represento. Por alguns instantes eu deixei de ser o Felipe e passei a ser um estrangeiro branco, arrogante e explorador. Interpretação minha e passível de erro, mas esta também deve ter sido a idéia que uma criança fez de mim quando ela bateu no vidro do carro repetidas vezes, e com força, porque eu não dei algum trocado para ela.

Não é confortável ser colocado nesta posição; saber que estão te interpretando mal e que não estão se esforçando para te entender ou te conhecer. Apesar de ter sido uma experiência desconfortável, acho que foi também importante ter passado por ela. É bom experimentar o outro lado da moeda e, apesar de não justificar, posso entender o que se passou na cabeça do rapaz quando nos xingou.

E este tipo de sentimento não se passa apenas entre alguns angolanos e alguns estrangeiros. Se passa também entre os estrangeiros e, acredito eu, entre os angolanos. O mais irônico de tudo é que a resposta do nosso colega, apesar de agressiva, é a parte que ninguém parece enxergar. De acordo com o que sabemos até agora sobre a origem da humanidade, nós compartilhamos um ancestral em comum e tudo indica que ele veio da África. Nós somos todos irmãos. Nós somos todos africanos.

Written by felipe

November 8th, 2008 at 2:53 pm

Luanda - parte 2

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Esta é a minha primeira viagem internacional e, não sei se pela localização, fica fácil perceber como surge o sentimento de discriminado/discriminador. Um monte de pessoas de vários lugares diferentes, que não se entendem direito, encarando qualquer atitude como se fosse uma elitista ou preconceituosa.

Apesar de ter ouvido falar que o moradores de Luanda são um pouco hostis contra estrangeiros, até agora só conheci angolanos simpáticos e festivos. Antes de ontem alguns nos viram na rua e começaram a dizer “olha os brasi… não sei se são brasileiros”. Cumprimentamos eles e eles já nos saudaram.

No mercadinho aqui da frente, quando precisei de ajuda, uma cliente angolana me ajudou toda sorridente e prestativa, e outros angolanos que já visitaram o Rio de Janeiro não pararam de elogiar a cidade. Disseram que o Rio é lindo e que o povo se parece com o de Luanda. Eu é que não discordo.

Vista da rua onde estamos hospedados

Vista da rua onde estamos hospedados

Entretanto, já ouvi muitos comentários e piadas preconceituosas feitos por outros estrangeiros que estão trabalhando aqui. Em nenhuma das vezes me esforcei para rir ou fingir concordar, só me calei para evitar confusão.

Mas estou “a gostar” de Luanda. Apesar das dificuldades, a cidade possui muita beleza. Ontem de noite fui à Ilha de Luanda junto com o Ariel e um consultor português que divide o apartamento conosco. A vista da cidade é muito bonita, bastante iluminada e com a luz dos prédios refletindo na água. Infelizmente não pude fotografar, mas espero fazer isso da próxima vez que voltar lá.

Close da vista pela cozinha

Close da vista pela cozinha

Jantamos em um restaurante muito bom, chamado Chill Out. Este restaurante pode ser comparado facilmente com qualquer outro da Av. Batel, em Curitiba. Eles possuem um prato vegetariano (risoto de aspargos com legumes), que foi a melhor refeição que eu tive até o momento. Uma pena que custa muito caro e não podemos nos dar ao luxo de comer lá sempre.

No geral, achei a refeição cara aqui. Para almoçar e jantar fora de casa, em lugares comuns, é necessário pelo menos uns 50 dólares. Um prato de macarrão alho e óleo, aqui perto de onde estamos, custa cerca de 1300 kwanzas e uma Coca-Cola custa 180 kwanzas (1 USD vale 75 kwanzas).

A parte mais chata, por enquanto, está sendo a falta de um carro. Este é um fim de semana seguido de feriado (Dia de Finados) e então estamos há três dias em casa, quase sem sair. Ninguém gosta muito de sair a pé por aqui e para evitar sair sozinho, eu fico em casa também

Nas poucas quadras que caminhei por aqui, junto com o Ariel, já vi algumas coisas legais. Vi a igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída no século XVI, e alguns prédios governamentais muito bonitos. Também puder ver um pouco do comércio local e do movimento da cidade.

Da culinária local experimentei dois pratos: a kizaka, um cozido feito com folhas de mandioca, e o funge de milho, que parece uma polenta branca. Entre os dois, prefiro a kizaka, porque tem mais sabor. O funge eu achei meio sem graça, mas depois o Ariel me explicou que o funge deve ser comido acompanhado de algum molho.

Bom, amanhã voltamos ao trabalho. E ainda tenho mais de 30 dias pela frente para conhecer a cidade e tirar as minhas impressões sobre ela.

Avante, Luanda!

Written by felipe

November 3rd, 2008 at 7:29 am

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Luanda

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Nascer do sol entre Guarulhos - Johannesburg

Nascer do sol entre Guarulhos - Johannesburg

Chegamos (Ariel e eu) ontem em Luanda, Angola. Tirando o cansaço, tudo está muito bem. Os vôos foram tranquilos e as refeições vegetarianas da South African Airway são boas.

Notei apenas uma queda na qualidade da refeição e do atendimento aos passageiros no vôo da conexão Johannesburg e Luanda. Talvez as dezenas de filipinos, chineses e outros asiáticos que não falavam inglês tenham deixado os funcionários um pouco estressados. De qualquer forma, cliente é cliente e todos deveriam receber o mesmo tipo de tratamento.

Nosso primeiro dia de trabalho já começou há 3 horas. Tivemos falta de luz ao acordar e a luz voltou uns 20 minutos depois. Depois disso a luz “piscou” umas três ou quatro vezes e a água do banheiro resolveu desaparecer. Mas nada disso chega a ser um empecilho, é tudo contornável.

Aliás, contornável também é o trânsito de Luanda. Se você não se meter no meio dos carros e sair “contornando” tudo e todos, demorará horas para chegar ao seu destino. :-)

Written by felipe

October 31st, 2008 at 6:44 am

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