Felipe Arruda

Eu uso monocelha e acho legal!

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Luanda - parte 6

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Acho que o ritmo mais tocado em Luanda é o kuduro, uma espécie de “funk carioca” angolano. As músicas são bem animadas e possuem letras simples, repetitivas e bem-humoradas. O nome do ritmo vem do fato de as pessoas dançarem sem mexerem muito o quadril. Aliás, tem uma curiosidade lingüística tola e interessante: para os portugueses e angolanos, a palavra cu é usada para a representar a bunda toda, e não apenas o ânus.

Voltando ao assunto, quando fui ao Belas Shopping percebi que um CD aqui custa em média 1.500 kwanzas (cerca de 20 dólares). Nas ruas você encontra CDs piratas que não custam nem 10% deste valor. Em ambos os casos, os preços são bem parecidos com os praticados no Brasil.

Ainda não consegui comprar o álbum do MC Kapa, um rapper angolano que fiquei conhecendo através do Canal Brasil. Não encontro em lugar nenhum, nem nas lojas e nem com os putos na rua. Amanhã de manhã vou tentar em uma loja que fica perto do apartamento onde estamos hospedados. Encontrei os CDs do MC Kapa e do Brigadeiro 10 Pacotes com os meninos que vendem coisas no meio do trânsito. De qualquer forma, vou ver se não encontro os CDs originais, porque acho que valem a pena.

Por falar em hip-hop, Luanda parece ter uma cena bem legal. Já peguei MP3 de outro artista (Pai Grande, o Poeta) e fiquei com vontade de ouvir o Brigadeiro 10 Pacotes. Preciso encontrar estes CDs antes de partir.

Langi em Luanda

Langi em Luanda

Na terça-feira passada assistimos o show da banda congolesa Langi, no espaço Chá de Caxinde. Além de gratuito, o show foi muito bom. Acho que poucas coisas no mundo conseguem ser mais graciosas do que a dança e o canto de uma mulher africana.

Written by felipe

November 21st, 2008 at 1:26 pm

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Luanda - parte 3

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Ao fundo, Baía de Luanda.

Ao fundo, Baía de Luanda.

De manhã fomos até a empresa onde trabalha um dos consultores portugueses que dividem o apartamento conosco. O ambiente é legal e tem uma conexão boa com a internet. Além disso, quatro nerds trancados em uma sala com ar condicionado me faz lembrar Curitiba.

No caminho conheci um outro lado de Luanda, uma região mais próxima do aeroporto. Entre as cenas que pude ver de dentro do carro, algumas me chamaram a atenção: vendedores ambulantes no meio do trânsito vendendo peixes ornamentais vivos, uma banda de hip-hop gospel chamada Alaridos divulgando o disco deles e crianças dormindo tranqüilamente, presas às costas da mãe, enquanto esta ganha a vida vendendo alguma fruta na calçada.

Passamos também por uma praça muito bem arrumada, com uma estátua enorme de Agostinho Neto, poeta e primeiro presidente de Angola. Aliás, vi estes dias que há alguns meses o Agualusa gerou um bocado de ruído ao emitir uma crítica negativa sobre as poesias do ex-presidente.

Depois do almoço passamos conferir a segunda edição da Tenda das Letras, uma feira literária que está acontecendo perto do Liceu Salvador Correia. A feira é bastante simples, mas a iniciativa é bastante posiiva. Quando passamos lá havia quatro barracas vendendo livros. Procurei por algum volume de história Angolana mas, infelizmente, não encontrei.

Tenda das Letras

Tenda das Letras

Dos livros que vi, fiquei interessado em uma antologia de contos e provérbios angolanos. Parece um bom livro e uma edição muito boa, mas o preço de três mil kwanzas me fez adiar a compra. Amanhã é o último dia da feira.

Também aprendi onde fica o Museu Nacional de Antropologia e acho que posso ir a pé até ele. Só preciso descobrir o horário de funcionamento, porque a caminhada não é muito pequena.

Atualmente, a única coisa que me incomoda em Luanda é a presença de conflito racial e xenófobo. Hoje mesmo, na volta para casa, um angolano passou pelo nosso carro fazendo alguns gestos e nos xingando. Ou melhor, xingando nossas mães, ao que um de nós respondeu baixinho, dentro do carro: pois sou teu irmão, logo tua mãe também é.

Eu nunca tinha experimentado uma situação assim antes. Nunca ninguém tinha me xingado pelo o que eu sou ou pelo o que eu represento. Por alguns instantes eu deixei de ser o Felipe e passei a ser um estrangeiro branco, arrogante e explorador. Interpretação minha e passível de erro, mas esta também deve ter sido a idéia que uma criança fez de mim quando ela bateu no vidro do carro repetidas vezes, e com força, porque eu não dei algum trocado para ela.

Não é confortável ser colocado nesta posição; saber que estão te interpretando mal e que não estão se esforçando para te entender ou te conhecer. Apesar de ter sido uma experiência desconfortável, acho que foi também importante ter passado por ela. É bom experimentar o outro lado da moeda e, apesar de não justificar, posso entender o que se passou na cabeça do rapaz quando nos xingou.

E este tipo de sentimento não se passa apenas entre alguns angolanos e alguns estrangeiros. Se passa também entre os estrangeiros e, acredito eu, entre os angolanos. O mais irônico de tudo é que a resposta do nosso colega, apesar de agressiva, é a parte que ninguém parece enxergar. De acordo com o que sabemos até agora sobre a origem da humanidade, nós compartilhamos um ancestral em comum e tudo indica que ele veio da África. Nós somos todos irmãos. Nós somos todos africanos.

Written by felipe

November 8th, 2008 at 2:53 pm