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	<title>Felipe Arruda &#187; Literatura</title>
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	<description>Astronomia, literatura, viagens e outros hobbies e interesses</description>
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		<title>Luanda &#8211; parte 3</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Nov 2008 17:53:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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De manhã fomos até a empresa onde trabalha um dos consultores portugueses que dividem o apartamento conosco. O ambiente é legal e tem uma conexão boa com a internet. Além disso, quatro nerds trancados em uma sala com ar condicionado me faz lembrar Curitiba.
No caminho conheci um outro lado de Luanda, uma região mais próxima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><div id="attachment_124" class="wp-caption aligncenter" style="width: 234px"><a href="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2008/11/dscn0117.jpg"><img class="size-medium wp-image-124" title="Ao fundo, Baía de Luanda." src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2008/11/dscn0117-224x300.jpg" alt="Ao fundo, Baía de Luanda." width="224" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Ao fundo, Baía de Luanda.</p></div></center></p>
<p>De manhã fomos até a empresa onde trabalha um dos consultores portugueses que dividem o apartamento conosco. O ambiente é legal e tem uma conexão boa com a internet. Além disso, quatro nerds trancados em uma sala com ar condicionado me faz lembrar Curitiba.</p>
<p>No caminho conheci um outro lado de Luanda, uma região mais próxima do aeroporto. Entre as cenas que pude ver de dentro do carro, algumas me chamaram a atenção: vendedores ambulantes no meio do trânsito vendendo peixes ornamentais vivos, uma banda de hip-hop gospel chamada Alaridos divulgando o disco deles e crianças dormindo tranqüilamente, presas às costas da mãe, enquanto esta ganha a vida vendendo alguma fruta na calçada.</p>
<p>Passamos também por uma praça muito bem arrumada, com uma estátua enorme de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_Neto">Agostinho Neto</a>, poeta e primeiro presidente de Angola. Aliás, vi estes dias que há alguns meses o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Eduardo_Agualusa">Agualusa</a> gerou u<a href="http://tinyurl.com/62mf5h">m bocado de ruído</a> ao emitir uma crítica negativa sobre as poesias do ex-presidente.</p>
<p>Depois do almoço passamos conferir a segunda edição da Tenda das Letras, uma feira literária que está acontecendo perto do Liceu Salvador Correia. A feira é bastante simples, mas a iniciativa é bastante posiiva. Quando passamos lá havia quatro barracas vendendo livros. Procurei por algum volume de história Angolana mas, infelizmente, não encontrei.</p>
<p><center><div id="attachment_128" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2008/11/feira-livro-luanda.jpg"><img class="size-medium wp-image-128" title="Tenda das Letras" src="http://www.felipearruda.com/blog/wp-content/uploads/2008/11/feira-livro-luanda-300x225.jpg" alt="Tenda das Letras" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Tenda das Letras</p></div></center></p>
<p>Dos livros que vi, fiquei interessado em uma antologia de contos e provérbios angolanos. Parece um bom livro e uma edição muito boa, mas o preço de três mil kwanzas me fez adiar a compra. Amanhã é o último dia da feira.</p>
<p>Também aprendi onde fica o Museu Nacional de Antropologia e acho que posso ir a pé até ele. Só preciso descobrir o horário de funcionamento, porque a caminhada não é muito pequena.</p>
<p>Atualmente, a única coisa que me incomoda em Luanda é a presença de conflito racial e xenófobo. Hoje mesmo, na volta para casa, um angolano passou pelo nosso carro fazendo alguns gestos e nos xingando. Ou melhor, xingando nossas mães, ao que um de nós respondeu baixinho, dentro do carro: <em>pois sou teu irmão, logo tua mãe também é</em>.</p>
<p>Eu nunca tinha experimentado uma situação assim antes. Nunca ninguém tinha me xingado pelo o que eu sou ou pelo o que eu represento. Por alguns instantes eu deixei de ser o Felipe e passei a ser um <em>estrangeiro branco, arrogante e explorador. </em>Interpretação minha e passível de erro, mas esta também deve ter sido a idéia que uma criança fez de mim quando ela bateu no vidro do carro repetidas vezes, e com força, porque eu não dei algum trocado para ela.</p>
<p>Não é confortável ser colocado nesta posição; saber que estão te interpretando mal e que não estão se esforçando para te entender ou te conhecer. Apesar de ter sido uma experiência desconfortável, acho que foi também importante ter passado por ela. É bom experimentar o outro lado da moeda e, apesar de não justificar, posso entender o que se passou na cabeça do rapaz quando nos xingou.</p>
<p>E este tipo de sentimento não se passa apenas entre alguns angolanos e alguns estrangeiros. Se passa também entre os estrangeiros e, acredito eu, entre os angolanos. O mais irônico de tudo é que a resposta do nosso colega, apesar de agressiva, é a parte que ninguém parece enxergar. De acordo com o que sabemos até agora sobre a origem da humanidade, nós compartilhamos um ancestral em comum e tudo indica que ele veio da África. Nós somos todos irmãos. <strong>Nós somos todos africanos.</strong></p>
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		<title>Ciao, mangiapane!</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2008 02:25:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>felipe</dc:creator>
				<category><![CDATA[Idiomas]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Leituras]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[vocabulário]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou lendo Máfia, livro de Michele Pantaleone que conta a origem e história da máfia siciliana. O livro é de 1962 e o seu título original é Mafia e Politica. Porém, eu não sei de quando é esta tradução que tenho aqui, publicada pela Editora Nova Fronteira. Só sei que o livro é um pouco velho, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou lendo <em>Máfia</em>, livro de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Michele_Pantaleone">Michele Pantaleone</a> que conta a origem e história da máfia siciliana. O livro é de 1962 e o seu título original é <em>Mafia e Politica.</em> Porém, eu não sei de quando é esta tradução que tenho aqui, publicada pela Editora Nova Fronteira. Só sei que o livro é um pouco velho, daqueles que abusam do <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Acento_circunflexo">chapéuzinho do vovô</a></em> e acentuam palavras como &#8220;sôbre&#8221;, &#8220;bôlso&#8221; e &#8220;têrmo&#8221;.</p>
<p>Ainda estou no começo da leitura, mas achei engraçado como algumas coisas estão relacionadas e eu nem fazia idéia disto. Já que os Fenícios foram um dos tantos povos que ocuparam <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Palermo">Palermo</a> na antiguidade, acabei aprendendo que existe uma pequena influência da civilização árabe por lá também, pois a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fenícia">Fenícia</a> ficava onde hoje é o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Líbano">Líbano</a>.</p>
<p>Talvez por isso uma das teorias para a origem do termo <em>mafiusu</em>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mafia#Etymology">segundo a Wikipedia</a>, é a derivação das palavras árabes <em>mahyas</em> (alguém que se gaba demais) ou <em>marfud</em> (rejeitado). Nesta semana vou tentar confirmar o significado destas palavras com a minha professora de árabe.</p>
<p>Mas uma parte do livro que realmente cativa o leitor (e os amigos dele) é o vocabulário de termos sicilianos usados pelos &#8220;homens de honra&#8221;. Em alguns instantes você terá piadas parecidas com aquelas da época em que <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropa_de_Elite_(filme)">Tropa de Elite</a></em> era novidade. Seja isso ruim ou não, aqui vão alguns dos termos presentes no livro:</p>
<ul>
<li><em>&#8216;ncarugnutu</em> (que virou carniça): alguém que recua frente aos deveres da máfia</li>
<li>astutaturi (aquele que paga): assassino</li>
<li><em>rifardu</em> (falso): estrangeiro</li>
<li><em>canna de stenniri</em> (haste de vime): fuzil militar</li>
<li><em>maredda</em> (papel usado para envolver açúcar): moça</li>
<li><em>villutu</em> (veludo): amante</li>
<li><em>minera</em> (mina): esposa</li>
<li><em>pizzu</em> (bico): quota fixa para a proteção da máfia</li>
<li><em>vagnare lu pizzu</em> (molhar o bico): pagar o pizzu; gratificação para homens da máfia</li>
<li><em>speranzari</em> (ter esperança): fugir para o exterior</li>
<li><em>scrusci-scrusci</em> (que faz barulho): alguém de confiança, que é mandado a frente em tropa de vanguarda</li>
<li><em>piciuciu</em>: que não é digno de consideração</li>
<li><em>spirtu</em>: astuto</li>
<li><em>astutatu</em> (apagado): assassinado</li>
<li><em>spisusu</em> ( que faz as despesas): rico</li>
<li><em>a cavaddu</em> (a cavalo): armado com fuzil</li>
<li><em>vacanti</em> (vazio): desarmado</li>
<li><em>malacarni</em> (carne de animal morto de repente): pessoa audaz, capaz de qualquer ação delituosa</li>
<li><em>spingularu</em> (recolhe pontas de cigarros com alfinete): ladrão de galinhas</li>
<li><em>sparaciu</em> (aspargo): carcereiro em serviço</li>
<li><em>lampiuni</em> (lampião): carcereiro na guarita</li>
<li><em>parracu grani</em> (pároco grande): prefeito</li>
<li><em>vicariu</em> (vigário): delegado de polícia</li>
<li><em>pizzicatu</em> (beliscado): preso pela polícia</li>
<li><em>amicu</em>: advogado da máfia</li>
<li><em>di panza</em>: homem que fala pouco e que resiste aos interrogatórios</li>
<li><em>cocciu di tacca</em> (jovem de fogo): jovem audaz</li>
<li><em>caggiu</em>: jovem de boa família</li>
<li><em>pizipinturru</em>: brigão, rixoso</li>
<li><em>bardascia</em>: fanfarrão</li>
</ul>
<p>Pesquisando pelos termos na internet também encontrei este <a href="http://www.edulab.it/roma/prodotti/classeL/glossario.htm">glossário siciliano-italiano</a>. Pode ser útil para outros que estejam lendo o mesmo livro.</p>
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