Felipe Arruda

Eu uso monocelha e acho legal!

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Luanda - parte 3

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Ao fundo, Baía de Luanda.

Ao fundo, Baía de Luanda.

De manhã fomos até a empresa onde trabalha um dos consultores portugueses que dividem o apartamento conosco. O ambiente é legal e tem uma conexão boa com a internet. Além disso, quatro nerds trancados em uma sala com ar condicionado me faz lembrar Curitiba.

No caminho conheci um outro lado de Luanda, uma região mais próxima do aeroporto. Entre as cenas que pude ver de dentro do carro, algumas me chamaram a atenção: vendedores ambulantes no meio do trânsito vendendo peixes ornamentais vivos, uma banda de hip-hop gospel chamada Alaridos divulgando o disco deles e crianças dormindo tranqüilamente, presas às costas da mãe, enquanto esta ganha a vida vendendo alguma fruta na calçada.

Passamos também por uma praça muito bem arrumada, com uma estátua enorme de Agostinho Neto, poeta e primeiro presidente de Angola. Aliás, vi estes dias que há alguns meses o Agualusa gerou um bocado de ruído ao emitir uma crítica negativa sobre as poesias do ex-presidente.

Depois do almoço passamos conferir a segunda edição da Tenda das Letras, uma feira literária que está acontecendo perto do Liceu Salvador Correia. A feira é bastante simples, mas a iniciativa é bastante posiiva. Quando passamos lá havia quatro barracas vendendo livros. Procurei por algum volume de história Angolana mas, infelizmente, não encontrei.

Tenda das Letras

Tenda das Letras

Dos livros que vi, fiquei interessado em uma antologia de contos e provérbios angolanos. Parece um bom livro e uma edição muito boa, mas o preço de três mil kwanzas me fez adiar a compra. Amanhã é o último dia da feira.

Também aprendi onde fica o Museu Nacional de Antropologia e acho que posso ir a pé até ele. Só preciso descobrir o horário de funcionamento, porque a caminhada não é muito pequena.

Atualmente, a única coisa que me incomoda em Luanda é a presença de conflito racial e xenófobo. Hoje mesmo, na volta para casa, um angolano passou pelo nosso carro fazendo alguns gestos e nos xingando. Ou melhor, xingando nossas mães, ao que um de nós respondeu baixinho, dentro do carro: pois sou teu irmão, logo tua mãe também é.

Eu nunca tinha experimentado uma situação assim antes. Nunca ninguém tinha me xingado pelo o que eu sou ou pelo o que eu represento. Por alguns instantes eu deixei de ser o Felipe e passei a ser um estrangeiro branco, arrogante e explorador. Interpretação minha e passível de erro, mas esta também deve ter sido a idéia que uma criança fez de mim quando ela bateu no vidro do carro repetidas vezes, e com força, porque eu não dei algum trocado para ela.

Não é confortável ser colocado nesta posição; saber que estão te interpretando mal e que não estão se esforçando para te entender ou te conhecer. Apesar de ter sido uma experiência desconfortável, acho que foi também importante ter passado por ela. É bom experimentar o outro lado da moeda e, apesar de não justificar, posso entender o que se passou na cabeça do rapaz quando nos xingou.

E este tipo de sentimento não se passa apenas entre alguns angolanos e alguns estrangeiros. Se passa também entre os estrangeiros e, acredito eu, entre os angolanos. O mais irônico de tudo é que a resposta do nosso colega, apesar de agressiva, é a parte que ninguém parece enxergar. De acordo com o que sabemos até agora sobre a origem da humanidade, nós compartilhamos um ancestral em comum e tudo indica que ele veio da África. Nós somos todos irmãos. Nós somos todos africanos.

Written by felipe

November 8th, 2008 at 2:53 pm

Luanda - parte 2

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Esta é a minha primeira viagem internacional e, não sei se pela localização, fica fácil perceber como surge o sentimento de discriminado/discriminador. Um monte de pessoas de vários lugares diferentes, que não se entendem direito, encarando qualquer atitude como se fosse uma elitista ou preconceituosa.

Apesar de ter ouvido falar que o moradores de Luanda são um pouco hostis contra estrangeiros, até agora só conheci angolanos simpáticos e festivos. Antes de ontem alguns nos viram na rua e começaram a dizer “olha os brasi… não sei se são brasileiros”. Cumprimentamos eles e eles já nos saudaram.

No mercadinho aqui da frente, quando precisei de ajuda, uma cliente angolana me ajudou toda sorridente e prestativa, e outros angolanos que já visitaram o Rio de Janeiro não pararam de elogiar a cidade. Disseram que o Rio é lindo e que o povo se parece com o de Luanda. Eu é que não discordo.

Vista da rua onde estamos hospedados

Vista da rua onde estamos hospedados

Entretanto, já ouvi muitos comentários e piadas preconceituosas feitos por outros estrangeiros que estão trabalhando aqui. Em nenhuma das vezes me esforcei para rir ou fingir concordar, só me calei para evitar confusão.

Mas estou “a gostar” de Luanda. Apesar das dificuldades, a cidade possui muita beleza. Ontem de noite fui à Ilha de Luanda junto com o Ariel e um consultor português que divide o apartamento conosco. A vista da cidade é muito bonita, bastante iluminada e com a luz dos prédios refletindo na água. Infelizmente não pude fotografar, mas espero fazer isso da próxima vez que voltar lá.

Close da vista pela cozinha

Close da vista pela cozinha

Jantamos em um restaurante muito bom, chamado Chill Out. Este restaurante pode ser comparado facilmente com qualquer outro da Av. Batel, em Curitiba. Eles possuem um prato vegetariano (risoto de aspargos com legumes), que foi a melhor refeição que eu tive até o momento. Uma pena que custa muito caro e não podemos nos dar ao luxo de comer lá sempre.

No geral, achei a refeição cara aqui. Para almoçar e jantar fora de casa, em lugares comuns, é necessário pelo menos uns 50 dólares. Um prato de macarrão alho e óleo, aqui perto de onde estamos, custa cerca de 1300 kwanzas e uma Coca-Cola custa 180 kwanzas (1 USD vale 75 kwanzas).

A parte mais chata, por enquanto, está sendo a falta de um carro. Este é um fim de semana seguido de feriado (Dia de Finados) e então estamos há três dias em casa, quase sem sair. Ninguém gosta muito de sair a pé por aqui e para evitar sair sozinho, eu fico em casa também

Nas poucas quadras que caminhei por aqui, junto com o Ariel, já vi algumas coisas legais. Vi a igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída no século XVI, e alguns prédios governamentais muito bonitos. Também puder ver um pouco do comércio local e do movimento da cidade.

Da culinária local experimentei dois pratos: a kizaka, um cozido feito com folhas de mandioca, e o funge de milho, que parece uma polenta branca. Entre os dois, prefiro a kizaka, porque tem mais sabor. O funge eu achei meio sem graça, mas depois o Ariel me explicou que o funge deve ser comido acompanhado de algum molho.

Bom, amanhã voltamos ao trabalho. E ainda tenho mais de 30 dias pela frente para conhecer a cidade e tirar as minhas impressões sobre ela.

Avante, Luanda!

Written by felipe

November 3rd, 2008 at 7:29 am

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Luanda

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Nascer do sol entre Guarulhos - Johannesburg

Nascer do sol entre Guarulhos - Johannesburg

Chegamos (Ariel e eu) ontem em Luanda, Angola. Tirando o cansaço, tudo está muito bem. Os vôos foram tranquilos e as refeições vegetarianas da South African Airway são boas.

Notei apenas uma queda na qualidade da refeição e do atendimento aos passageiros no vôo da conexão Johannesburg e Luanda. Talvez as dezenas de filipinos, chineses e outros asiáticos que não falavam inglês tenham deixado os funcionários um pouco estressados. De qualquer forma, cliente é cliente e todos deveriam receber o mesmo tipo de tratamento.

Nosso primeiro dia de trabalho já começou há 3 horas. Tivemos falta de luz ao acordar e a luz voltou uns 20 minutos depois. Depois disso a luz “piscou” umas três ou quatro vezes e a água do banheiro resolveu desaparecer. Mas nada disso chega a ser um empecilho, é tudo contornável.

Aliás, contornável também é o trânsito de Luanda. Se você não se meter no meio dos carros e sair “contornando” tudo e todos, demorará horas para chegar ao seu destino. :-)

Written by felipe

October 31st, 2008 at 6:44 am

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